Inspetor da ONU cobra provas de EUA e Grã-Bretanha

Os Estados Unidos e a Grã-Bretanha deveriam oferecer mais informações de inteligência sobre as supostas armas de destruição em massa do Iraque, queixou-se o chefe da equipe de inspetores de armas da Organização das Nações Unidas (ONU), Hans Blix. Enquanto isso, o primeiro-ministro Tony Blair anunciava que tropas britânicas estão fazendo "todas as preparações necessárias" para a guerra. "Se o Reino Unido e os Estados Unidos... têm evidências, então deveríamos esperar que eles sejam capazes de nos dizer onde essas coisas estão", argumentou Blix na rádio BBC. Na quinta-feira, o secretário de Estado dos EUA, Colin Powell, acusou o Iraque de ter cometido "fraude" e feito "omissões" em sua declaração de 12.000 páginas sobre armas entregue à ONU. Numa primeira avaliação do dossiê, Blix destacou que o Iraque manteve que não tem programas de armas nucleares, químicas e biológicas "e nenhuma delas foi projetada, tentada, produzida ou armazenada" desde que o último regime de inspeção foi encerrado quatro anos atrás. Blix disse que governos ocidentais garantem ter evidências do contrário, mas que os inspetores não estão atualmente em posição "de confirmar a declaração do Iraque, nem em posse de provas que a contestem". Blix lamentou à BBC que os inspetores "não conseguem todo o apoio que precisam" dos governos ocidentais. "A coisa mais importante que governos como o do Reino Unido e o dos EUA poderiam nos dar seria dizer a nós os locais que eles estão convencidos que existam algumas armas de destruição em massa", pediu. "É isso o que queremos." "Eles têm todos os meios para ouvir conversas telefônicas, eles têm espiões, eles têm satélites, então eles têm um monte de fontes que não temos", acrescentou. Num discurso para o Serviço de Transmissão das Forças Britânicas, Blair afirmou que o governo estava se preparando para uma ação militar - mas considerou que a guerra não é inevitável. "Lamento sobre as incertezas", disse Blair às tropas. "Temo que isso seja inevitável, porque no momento simplesmente não sabemos se será descoberto que o Iraque está violando a resolução das Nações Unidas?, completou. "A questão-chave?, segundo Blair, ?é fazer todos os preparativos necessários, e garantir que estejamos estruturando nossa força na região - tanto os norte-americanos quanto nós - e que sejamos capazes de assumir essa missão, se ela couber a nós". Em outra entrevista publicada hoje, Blair acusou Saddam de estar brincando de "esconde-esconde" com os inspetores da ONU - e que as Nações Unidas devem decidir se o Iraque violou a resolução da ONU. Os EUA já declararam que o Iraque está em "flagrante violação" das resolução dos Conselho de Segurança. Para Blair, cabe aos inspetores averiguar os fatos. "O julgamento sobre a seriedade dos fatos é obviamente um assunto para as nações da ONU", teria dito ele ao jornal The Guardian. "Agora que ele (Saddam) fez sua declaração, se for constatado que a declaração é falsa, então ele violou (a resolução)", explicou Blair.

Agencia Estado,

20 Dezembro 2002 | 13h56

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