Inspetores da ONU causam confusão ao bloquear prédios no Iraque

Os inspetores de armas da ONU bloquearam um conjunto de prédios do governo nos arredores de Bagdá, no domingo, enfurecendo os homens, mulheres e crianças que foram impedidos de sair da área enquanto os especialistas em armas visitavam uma instalação dentro do complexo. Um diplomata iraquiano considerou a ação "inaceitável".Os inspetores chegaram para verificar um dos cerca de dez prédios do governo dentro de uma área fechada - que inclui blocos de apartamentos - e, ao seguir a prática usual de "congelar" a área, os especialistas em armas acabaram impedindo centenas de pessoas de abandonar o local durante horas.Os inspetores, que estão no Iraque procurando provas da existência de armas proibidas, vasculharam bolsas plásticas de compras das mulheres, algumas carregando bebês ou conduzindo crianças com mochilas escolares. Algumas mulheres acharam graça da confusão, mas outras se aborreceram e disseram que precisam levar os filhos à escola. Uma disse que a filha tinha que ir para o hospital. "Eles estão restringindo nossa liberdade", gritou uma mulher. Depois acrescentou: "Todos nós amamos Saddam Hussein".Após o incidente no complexo governamental no bairro Al-Jadriya, os inspetores de armas - como costuma acontecer - não falaram os jornalistas. O porta-voz da ONU, Hiro Ueki, estava na cidade de Mosul, na região Norte, com uma outra equipe de inspeção e não pode ser contatado para comentar.Autoridades do Iraque disseram que o objeto da visita era uma empresa de pesquisa química, mas o quartel-general das autoridades de contato iraquianas que acompanham os inspetores nas buscas também fica dentro do conjunto de prédios.Também hoje, o diário Al-Iraq, que é controlado pelo Estado, informou que uma milícia civil do partido Baath, de Saddam, conduziu um exercício de combate urbano e rural logo ao sul da Bagdá, uma região que poderá ser um importante baluarte na defesa da capital contra uma invasão norte-americana.Esse foi o segundo desses exercícios na província nas últimas duas semanas e pareceu destinado a respaldar as freqüentes declarações de autoridades iraquianas de que uma força invasora irá se deparar não apenas com o Exército iraquiano mas também com civis armados que defenderão cada cidade ou vilarejo. O artigo do Al-Iraq não menciona o número de soldados que participaram do exercício de guerra no sábado, nem traz fotografias.Um integrante do partido Baath, Fadhil Mahmoud al-Mishiykhi, disse ao jornal que os combatentes estão prontos a enfrentar qualquer campanha dos Estados Unidos e de "seu aliado sionista" - querendo dizer Israel.

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