Inspetores da ONU pressionam Irã por acesso a instalações militares

Um alto funcionário da agência nuclear da ONU iniciou nesta segunda-feira dois dias de reuniões com autoridades do Irã e as pressionou a permitir o acesso de inspetores a informações, pessoas e instalações suspeitas de envolvimento no programa atômico do país.

FREDRIK DAHL, REUTERS

14 Maio 2012 | 09h45

As reuniões em Viena antecedem às discussões marcadas para a semana que vem em Bagdá entre o Irã e seis potências mundiais.

Inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, um órgão da ONU) participaram neste ano de duas reuniões em Teerã, sem conseguir progressos notáveis -- especialmente acerca da solicitação de acesso à instalação militar de Parchin, onde a entidade suspeita da existência de pesquisas relevantes para o desenvolvimento de armas atômicas.

Potências estrangeiras já impuseram várias sanções ao Irã por causa da suspeita de que seu programa nuclear esteja voltado para o desenvolvimento de armas, o que Teerã nega.

"A meta dos nossos dois dias (de negociações) é alcançar um acordo sobre uma abordagem que resolva todas as questões remanescentes com o Irã", disse a jornalistas Herman Nackaerts, subdiretor-geral da AIEA, ao chegar a uma missão diplomática iraniana num bairro elegante de Viena.

"Em particular, o esclarecimento de possíveis dimensões militares continua sendo nossa prioridade... É importante agora que possamos nos envolver na substância dessas questões, e que o Irã nos permita o acesso a pessoas, documentos, informações e locais."

Diplomatas ocidentais observam com atenção as negociações, buscando sinais de que o Irã estaria disposto a concessões concretas, o que seria um sinal encorajador para as discussões em Bagdá.

Após um hiato de 15 meses, as negociações do Irã com seis potências mundiais --EUA, Rússia, China, Grã-Bretanha, França e Alemanha-- foram retomadas no mês passado em Istambul.

Em frente à missão diplomática de Viena, um pequeno grupo de simpatizantes da oposição iraniana gritava palavras de ordem e pedia às potências mundiais que "parem de dar mais tempo" ao desenvolvimento de uma bomba atômica por Teerã.

Mais conteúdo sobre:
ONU IRA INSPETORES*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.