Inspetores da ONU respondem a acusação de Saddam

O porta-voz da equipe dos inspetores da ONU em Bagdá, Hiro Ueki, respondeu às acusações de espionagem, feitas por Saddam Hussein em pronunciamento nacional de rádio e televisão. Ueki disse que seu trabalho é feito "profissional e objetivamente". "Tudo o que posso dizer é que os inspetores não são espiões", afirmou.No domingo, a equipe fez uma visita-surpresa a um complexo de edifícios que abriga o órgão de ligação entre o Iraque e os inspetores, impedindo a saída, por várias horas, do embaixador iraquiano na ONU, Mohamed al-Douri, de um alto funcionário e de dezenas de civis.Foi o dia de atividade mais intensa do grupo: eles vistoriaram um total de 16 instalações. Ontem, a equipe esteve em pelo menos três locais suspeitos.Garantindo que o Iraque está preparado para um possível ataque dos Estados Unidos, o presidente iraquiano, Saddam Hussein, acusou os inspetores de armas da Organização das Nações Unidas de realizarem "espionagem pura" e afirmou que a meta dos norte-americanos é ocupar o Golfo Arábico (o Golfo Pérsico).O pronunciamento de Saddam, em rede nacional de rádio e televisão, para celebrar o Dia do Exército, caracterizou-se por suas costumeiras frases de efeito e citações de termos religiosos islâmicos.Foi sua primeira crítica pública aos peritos da ONU desde que retomaram, no dia 27 de novembro, o trabalho de verificação do arsenal do país, interrompido há quatro anos."Em vez de procurarem as chamadas armas de destruição em massa para revelar as mentiras dos mentirosos, as equipes de inspetores tornaram-se interessadas em compilar listas de cientistas iraquianos, fazer aos trabalhadores perguntas que não são o que parecem e coletar informações sobre acampamentos do Exército e produção militar legítima", acusou. "Essas coisas, ou a maioria delas, são puro trabalho de espionagem."Saddam descreveu as ameaças dos EUA de desarmar o Iraque pela força como "silvos de víboras e latidos de cães" e enfatizou que o povo iraquiano sairá vitorioso, apesar de "todo esse alarido, comoção e histeria declarados pelo inimigo"."Mediante seus ruídos e seus gritos, o inimigo persegue vários objetivos e o Iraque não é mais do que um deles. O objetivo é tomar o Golfo Arábico, uma ocupação efetiva e total para realizar vários desígnios (...) que lhes vão assegurar o controle desta região e seus recursos, repartindo-os. É um sonho que acalentam desde os anos 70", declarou Saddam.Em outro trecho, ele frisou que "nada desaponta e derruba mais (o inimigo) do que o povo preparado para confrontar qualquer possibilidade adicional da agressão que já está ocorrendo diariamente no Iraque. Aqui, nós estamos preparados para tudo".Ele também saudou a resistência palestina contra a ocupação israelense, elogiando a ação dos militantes suicidas.O presidente iraquiano acusou líder norte-americano George W. Bush de estar desesperado para acobertar seu fracasso em evitar os atentados de 11 de setembro de 2001, eliminar a resistência afegã e conduzir a economia dos Estados Unidos.Os intensos preparativos dos EUA para a guerra foram destaque hoje nos principais jornais do país. O diário The New York Times destacou o plano para a administração do país após a derrubada de Saddam, enquanto o The Washington Post assinalou que o Exército está reunindo forças terrestres para uma possível invasão, num total superior a 100.000 homens. Já o diário USA Today assinalou que o país pôs em alerta pelo menos 275 unidades de reservistas, totalizando mais de 10.000 soldados, para que estejam prontos para um chamado ainda esta semana.Em Londres, o chanceler britânico, Jack Straw, disse hoje que a guerra contra o Iraque não é inevitável. A possibilidade de um ataque ao país é de "40% e, portanto, há 60% de chance de uma solução diplomática".No mundo árabe, ganha corpo a pressão para que Saddam deixe o poder como meio de evitar uma "catástrofe" no Oriente Médio. Na semana passada, jornais ingleses divulgaram que dirigentes árabes planejam convencer o líder iraquiano a renunciar, se uma guerra for iminente.Um grupo de intelectuais e acadêmicos está promovendo um abaixo-assinado no qual também pede um Iraque democrático, no qual os direitos humanos sejam respeitados, e exorta os países da região a pressionarem Saddam a deixar o poder. O texto deve ser divulgado ainda esta semana.

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