Inspetores querem mais evidências do Iraque

A administração dos EUA ficou isolada em sua conclusão de que lacunas na declaração constituem uma "flagrante violação" das resoluções da ONU sobre o desarmamento do Iraque - uma expressão carregada, diplomaticamente entendida por muitos como um prelúdio para a guerra.Na verdade, os inspetores adiantaram que irão buscar mais informações junto a Bagdá sobre questões pendentes, como sua produção de antraz, e continuar com as inspeções, que foram retomadas no mês passado depois de uma pausa de quatro anos, e tentar entrevistar cientistas iraquianos.Entretanto, o desapontamento deles era evidente."Foi perdida uma oportunidade na declaração, de oferecer um monte de evidências", expressou o chefe dos inspetores da ONU, Hans Blix, depois de oferecer seu parecer ao Conselho de Segurança. "Eles ainda podem apresentá-las e esperamos que eles as ofereçam a nós oralmente, mas seria melhor se elas estivessem na declaração".Mohamed El-Baradei, chefe da Agência Internacional de Energia Atômica, lamentou que os inspetores tenham de levar um monte de perguntas aos iraquianos."Esperamos conseguir as respostas e evidências adicionais", afirmou. Mas o secretário de Estado dos EUA, Colin Powell, adiantou numa entrevista coletiva, na quinta-feira, em Washington, que o presidente George W. Bush não iria esperar muito tempo por respostas.Se a "má-fé" do Iraque continuar nas próximas semanas, sentenciou Powell, "então não vamos encontrar uma solução pacífica para esse problema".O vice-embaixador do Iraque na ONU, Mohammed Salmane, repudiou as acusações americanas. A declaração de Bagdá, para ele, é "completa e abrangente" e pode ser comprovada pelos inspetores."Os EUA deixaram claro que a questão não é desarmamento, mas a mudança do governo legítimo do Iraque", considerou.Bagdá garante não possuir armas nucleares, químicas ou biológicas. Os EUA e a Grã-Bretanha insistem em ter evidências de que Saddam está mentindo. Mas os inspetores explicaram que nenhum dos lados ofereceu a eles evidência suficiente - e, portanto, não podem confirmar ou rejeitar a garantia do Iraque.Blix reclamou que os inspetores "não conseguem todo o apoio de que necessitamos" de governos ocidentais. "A coisa mais importante que governos como do Reino Unido e EUA podem nos oferecer seria nos dizer os lugares onde eles estão convencidos que existem armas de destruição em massa", pediu.O embaixador da França na ONU, Jean-Marc de la Sablière, entendeu que a avaliação inicial mostrou a necessidade de dar apoio aos inspetores, para que "a comunidade internacional seja capaz de verificar se ainda estão em andamento programas de armas de destruição em massa no Iraque".O embaixador russo na ONU, Sergey Lavrov, o mais importante aliado do Iraque no Conselho, criticou indiretamente os EUA, por não oferecerem aos inspetores provas dos programas de armas de Bagdá e por unilateralmente declararem que o Iraque violou a resolução 1441."Não cabe a nenhum membro individualmente fazer esse julgamento", lembrou.

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