Inspetores são acusados de omitir achado no Iraque

Os Estados Unidos e a Grã-Bretanha pretendem pressionar o chefe dos inspetores de armas da ONU, Hans Blix, a admitir que sua equipe encontrou no território iraquiano um avião não tripulado - um achado que poderia ser a prova para justificar um ataque ao Iraque, informou o diário britânico The London Times. O aparelho não foi incluído no relatório entregue por Blix ao Conselho de Segurança, na semana passada, mas consta de um documento secreto que circulou entre os inspetores, na sexta-feira.Comentando a notícia, o porta-voz da Comissão de Vigilância, Verificação e Inspeção da ONU (Unmovic) em Bagdá, Ewen Buchanan, informou que o avião está sendo examinado. "Ainda não pudemos verificar se ele pode voar a mais de 150 quilômetros de distância, ou se pode ser usado para disseminar armas biológicas", explicou Buchanan, garantindo que Blix se referiu brevemente a "uma avião guiado à distância", em seu relatório ao CS.O anúncio dessa descoberta seria um importante instrumento de pressão sobre os países indecisos numa votação, no Conselho de Segurança da ONU, de uma resolução dando um ultimato ao Iraque e justificando o uso da força contra o país. "É incrível. Essa informação terá um impacto claramente definitivo sobre as pessoas que estão hesitantes", disse um diplomata americano, sob anonimato.Outro jornal, o diário americano The New York Times, informou que os inspetores acharam um novo tipo de foguete, supostamente apto a espalhar agentes bioquímicos em uma ampla região. Segundo as fontes do NYT, a peça se encaixa na categoria de arma de fragmentação e poderia ser enquadrada como arma proibida pelas resoluções da ONU, mas não foi mencionada por Blix em seu informe ao CS.Violação da leiO secretário-geral da ONU, Kofi Annan, advertiu, em Haia, na Holanda, os Estados Unidos de que o país estará em violação da carta das Nações Unidas se atacar o Iraque sem a aprovação do Conselho de Segurança."Todo o mundo concorda na necessidade de desarmar o Iraque", disse Annan. "Não existem divisões, nem margem para dúvida ou postergação" sobre o objetivo de acabar com as armas de destruição em massa do Iraque. Mas Annan advertiu que uma ação militar sem a autorização da ONU seria ilegítima. "A legitimidade e o apoio para qualquer ação do tipo seriam seriamente debilitados"."Se os Estados Unidos e outros forem em frente desviando-se do conselho e assumir uma ação militar, não será em conformidade com a carta (da ONU)", afirmou.Washington tem argumentado que resoluções anteriores do Conselho de Segurança oferecem suficiente base legal para uma ação militar contra o Iraque.Annan afirmou que o mundo quer uma solução pacífica para a crise. "Existe uma preocupação generalizada sobre as conseqüências de uma guerra no Iraque", lembrou. Uma guerra poderia criar instabilidade regional, impacto econômico negativo e conseqüências involuntárias produzindo novas ameaças e novos perigos".Annan chegou hoje à Holanda para a cerimônia de inauguração, amanhã, do Tribunal Penal Internacional, apoiado por 89 países para julgar crimes de guerra cometidos em qualquer lugar do mundo. Os EUA vêm se opondo ao funcionamento do tribunal.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.