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Inspetores voltam a Bagdá; americanos já falam em violação

Inspetores de armas da ONU retornaram hoje ao Iraque depois de um hiato de quatro anos e pediram ao governo do presidente Saddam Hussein para cooperar com a busca deles por armas de destruição em massa no interesse da paz. Mas para Washington já pode estar havendo violação de uma dura resolução da ONU.Os inspetores desembarcaram na capital iraquiana enquantoaviões anglo-americanos bombardeavam defesas aéreas iraquianas na zona de exclusão aérea no norte do país. Militares americanos alegaram que seus jatos foram atacados durante patrulhas de rotina. O Iraque considera tais patrulhas uma violação de sua soberania e freqüentemente dispara contra os aviões.Na Casa Branca, o porta-voz Scott McClellan disse hoje que os disparos antiaéreos iraquianos "parecem ser uma violação" daresolução da ONU que enviou os inspetores de volta ao Iraque.Não ficou claro, entretanto, se outros países do Conselho de Segurança considerariam incidentes nas zonas de exclusão aérea suficientemente sérios para merecer uma resposta, uma vez quetais patrulhas nunca foram explicitamente autorizadas pelo conselho. O secretário de Defesa dos EUA, Donald H. Rumsfeld, disse durante visita ao Chile que Washington aguarda por um padrão de comportamento incorreto por parte do Iraque antes de recorrer aoconselho.A volta dos inspetores é considerada a última oportunidade dada a Saddam Hussein de evitar uma devastadora guerra com os EUA. O presidente americano, George W. Bush, tem advertido que se Saddam não cooperar com os inspetores haverá um ataque dosEUA. Washington adiantou ter adotado uma política de "tolerância zero" em relação a infrações do Iraque.O vice de Saddam, Izaat Ibrahim, disse à oficial Agência de Notícias Iraquiana que Bagdá irá cooperar com os inspetores paraproteger seu povo dos EUA, mas irá lutar "se a guerra for imposta a nós".O chefe dos inspetores da ONU, Hans Blix, e Mohamed ElBaradei, supervisor da Agência Internacional de Energia Atômica, se reuniram na noite de hoje com o general Hosam Amin, que atuou como elo de ligação iraquiano com antigos inspetores, e o assessor presidencial Amir al-Saadi, num primeiro encontro oficial.Após a reunião, ElBaradei afirmou que eles começaram a fazer arranjos para as inspeções e que continuariam amanhã. "Acho queestamos fazendo progressos", avaliou.Entretanto, a longa história de confrontação entre os iraquianos e anteriores inspetores da ONU - especialmente sobre locais sensíveis como palácios presidenciais, mesquitas e bases militares - levanta dúvidas se desta vez os dois lados conseguirão trabalhar em coordenação.O abismo entre a forma pela qual a questão das supostas armas de destruição em massa do Iraque é vista pelos EUA e por todo o mundo árabe foi dramaticamente ilustrado momentos depois que o avião de carga de Blix tocou a pista do Aeroporto InternacionalSaddam Hussein.Numa caótica entrevista coletiva no aeroporto, jornalistas iraquianos e outros árabes exigiram saber se os inspetores esperavam atritos com os Estados Unidos e se eles aceitariam informações de inteligência de Washington. Os inspetores disseram não esperar problemas com os americanos e que receberiam de bom grado informação de qualquer país do mundo.Um editorial de primeira página do jornal do governista Partido Baath, Al-Thawra, classificou o anterior programa de inspeção da ONU de "uma organização americana para espionar o Iraque", e afirmou esperar que a nova equipe consiga evitar a armadilha. "A situação no momento é tensa, mas existe uma nova oportunidade e estamos aqui para oferecer inspeções que sejam confiáveis", adiantou Blix. "Inspeções que sejam confiáveissão a única coisa que é do interesse do Iraque e do interesse domundo, e vamos tentar agir desta forma".Ele informou que as inspeções podem começar já em 27 de novembro. Blix terá então de relatar em 60 dias ao Conselho deSegurança sobre seus progressos."A cooperação total do Iraque é importante para nós", disseo egípcio ElBaradei. "Esperamos que esse seja o caso". Eleprometeu que as inspeções serão imparciais e amplas.Pela nova resolução da ONU, os inspetores têm o direito de iraonde quiserem e conversar com quem quiserem a fim de determinar se o Iraque ainda mantém armas proibidas. No passado, inspetores de armas tinham de avisar com antecedência visitas a locais sensíveis, como os oito grandes complexos presidenciais, perdendo o efeito surpresa.A nova resolução dá aos inspetores autoridade explícita "para inspecionar qualquer local e prédio, incluindo acesso imediato, incondicional e irrestrito a palácios presidenciais". Blix disse na entrevista coletiva que até mesquitas podem ser vistoriadas.Na capital bósnia, Sarajevo, o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, pediu ao "presidente Saddam Hussein para cumprirtotalmente (a resolução) pelo bem de seu povo, pelo bem daregião e pelo bem da ordem internacional".Agora que os inspetores retornaram, o governo iraquiano tem de entregar até 8 de dezembro ao CS um relatório sobre seus programas de armas, ou dizendo onde se encontram os armamentos ou oferecendo evidências convincentes de que elas não mais existem.Os inspetores têm de constatar que o Iraque não mais dispõe dearmas proscritas antes de o CS suspender duras sanções econômicas impostas depois que tropas iraquianas invadiram oKuwait em 1990.O vice-ministro do Exterior russo, Yuri Fedotov, disse hoje que Moscou irá pressionar pelo fim das sanções se Bagdá cooperarcom os inspetores.

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