Instabilidade política ameaça saúde pública, diz chefe da OMS

A onda de violência surgida no Quêniaapós as eleições presidenciais e os distúrbios na Faixa de Gazamostram como a instabilidade política pode prejudicar o sistemapúblico de atendimento médico, afirmou na segunda-feiraMargaret Chan, chefe da Organização Mundial da Saúde (OMS). Falando ao quadro de diretores da entidade, Chan disseestar preocupada com a crise no Quênia porque isso poderiatraduzir-se em um revés nos esforços de combate à Aids, àmalária, à tuberculose e a outras doenças que precisam sermonitoradas e enfrentadas. Na Faixa de Gaza, os bloqueios impostos por Israelprejudicam o atendimento aos doentes de câncer, aos cardíacos,aos diabéticos e aos que carecem de tratamento emergencialdentro do território palestino, segundo a diretora-geral daOMS. "Neste momento, deparamo-nos com uma prova contundente daameaça surgida da instabilidade e dos distúrbios civis",afirmou Chan em um encontro realizado para preparar aAssembléia Mundial da Saúde, a ser realizada em maio sob ocomando da OMS. O quadro de diretores, composto por 34 integrantes,avaliará nesta semana os avanços nos esforços mundiais paracombater uma eventual pandemia de gripe, erradicar a pólio e adracunculose, além de preparar o mundo para os problemas desaúde a serem criados pelo aquecimento global. O encontro também avaliará as campanhas para o combate àmutilação genital feminina, para o aumento da distribuição devacinas e para a melhoria dos sistemas de saúde nos países maispobres. Apesar de o número de casos de tuberculose estaraparentemente estabilizado no mundo, a disseminação de tipos dadoença resistentes a remédios pelo Leste da Europa, pela ÁsiaCentral e pela China é motivo de grande preocupação, disseChan. E os tipos de tuberculose extremamente resistentes, que sãoquase impossíveis de serem tratados, representam uma outraameaça grave, afirmou a diretora-geral da OMS. "O crescimento do número de casos desse tipo de doençaobriga-nos a estarmos preparados para reveses provocados por ummundo microbiano em constante mudança", disse. Apesar de ter repetido sua opinião de que o vírus H5N1, dagripe aviária, continua sendo uma ameaça, Chan citou apenasrapidamente uma doença que antes dominou as declaraçõesproferidas pela chefe da OMS. "Esta temporada ofereceu-nos indícios claros de que aameaça de uma pandemia de gripe não diminuiu de jeito nenhum",afirmou durante o encontro. A respeito do aquecimento global, Chan citou estudossegundo os quais a África poderia ser duramente atingida pelamudança de padrões de secas, enchentes, tempestades e ondas decalor já a partir de 2020. "Estamos a apenas 12 anos dessa data", lembrou adiretora-geral.

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