Instabilidade preocupa Ocidente

A mais recente crise do Paquistão - a disputa política entre o ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif e o presidente Asif Ali Zardari - preocupa os Estados Unidos e a Grã-Bretanha, que se preparam para uma grande ofensiva contra os taleban dos dois lados das fronteiras afegã e paquistanesa. A situação revela que o Ocidente dispõe de poderes limitados para controlar eventos em uma região tida como a linha de frente da luta contra o terror.Os jornais paquistaneses noticiaram na quarta-feira que o alto comissário da Grã-Bretanha, Robert Brinkley, apelou para os dois lados recuarem, enquanto ganhava impulso um movimento de protesto da oposição de âmbito nacional, conhecido como a Longa Marcha. A embaixadora americana Anne Patterson revelou que também pressionava os dois lados a chegarem a um acordo, pelo temor de que os protestos degenerem em violência e acabem derrubando o fraco governo civil de Islamabad.À procura de uma saída, o primeiro-ministro do Paquistão, Yousaf Raza Gilani, aconselhou Zardari a pôr fim ao governo direto no Punjab e permitir que a assembleia provincial de Lahore eleja um líder. Gilani mostrou-se otimista quanto à possibilidade de o Paquistão superar seus enormes problemas econômicos com a ajuda do Fundo Monetário Internacional (FMI), mas disse que não permitirá as violentas lutas políticas que levaram os representantes dos altos escalões a acusar Sharif de sedição e insurreição."Os acontecimentos da semana passada levantaram a questão sobre a capacidade de um governo instável como este governar o país em um momento tão crítico", disse Maleeha Lodhi, ex-diplomata de alto escalão e comentarista política.A instabilidade política paquistanesa constitui um dos principais desafios internacionais de Barack Obama. Mas, enquanto Washington se esforça por intermediar uma trégua e distribui bilhões de dólares, os integrantes da linha-dura inimiga do Ocidente e os jihadistas não ficam parados.O partido islâmico Jamaat-e-Islami juntou suas forças aos manifestantes de Sharif. Na semana passada, seus membros entraram em choque com a polícia em Karachi. E, segundo o Daily Times, os serviços de inteligência alertaram o governo da província de Sindh de que terroristas ligados à Al-Qaeda planejam novos ataques, até mesmo atentados conta os manifestantes, depois daquele realizado no dia 3 contra o time de críquete de Sri Lanka, no Lahore. Ao mesmo tempo, a televisão local noticiou que a Al-Qaeda planeja usar os atuais distúrbios nas ruas para camuflar os ataques contra consulados e cidadãos americanos. Com o Afeganistão também enfrentando turbulências políticas antes das eleições de agosto, e o presidente Hamid Karzai se defrontando com uma onda de desaprovação ocidental, Barack Obama está perante condições absolutamente nada ideais para sua nova estratégia para a região. * Tisdall é colunista do Guardian

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