Insurgentes assumem campos de petróleo

Segundo rebeldes, quase todos os centros de extração no leste da Líbia estão tomados

, O Estado de S.Paulo

26 de fevereiro de 2011 | 00h00

A revolução no Norte da África parece ainda não ter chegado a um dos principais países do mundo árabe. A vez da Arábia Saudita - que abriga um quinto das reservas mundiais de petróleo e consiste no mais importante aliado árabe que restou aos EUA - pode estar chegando.

Acha improvável que a juventude - 60% da população saudita tem menos de 18 anos, e 28% dos jovens em idade economicamente ativa estão desempregados - deste reino protagonize um levante popular? O rei Abdullah bin Abdul Aziz discorda. Na quarta-feira, o regente aterrissou em Riad após se ausentar do país por 3 meses para se tratar no exterior. Para um homem de 87 anos com problemas nas costas, parecia ter muita pressa.

Abdullah aprovou a distribuição de mais de US$ 36 bilhões em benefícios sociais à população - cerca de US$ 2 mil por saudita. Além de um aumento de 15% nos salários do funcionalismo público, ofereceu empréstimos aos jovens para que comprassem imóveis, casassem e começassem novos empreendimentos. As próximas serão a anistia para os presos e uma reforma do gabinete.

Entre os cerca de 50 homens vestindo túnicas brancas que esperavam por Abdullah na pista do aeroporto estava aquele que mais preocupa o monarca saudita: o rei Hamad bin Isa al-Khalifa, do país vizinho, o insular Bahrein. Há uma semana, o regime de al-Khalifa tentou reprimir o primeiro levante popular visto num emirado árabe - solução proposta pela Arábia Saudita. A tentativa fracassou.

Milhares de manifestantes estão acampados na capital do Bahrein, Manama. Para os sauditas, suas reivindicações são assustadoras: querem uma monarquia constitucional que confira mais poder à maioria xiita do país, alvo de antiga repressão - e possivelmente a deposição da dinastia al-Khalifa, sunita. A situação é acompanhada pelos 2 milhões de xiitas da província oriental da Arábia Saudita, riquíssima em petróleo, que também constituem uma maioria prejudicada e são separados do Bahrein por 25 quilômetros.

O governante saudita pode ordenar que forças sauditas cruzem a passagem para o Bahrein para acabar com os xiitas daquele país, algo semelhante a uma versão árabe da invasão soviética da Checoslováquia. Ou ele pode deixar que a família al-Khalifa negocie sua saída do poder, torcendo para que o contágio democrático não se dissemine. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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