Insurgentes frustraram esforços dos EUA no Iraque, diz Bush

Durante seu último encontro com jornalistas em um ano marcado pelo acirramento do conflito no Iraque, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, admitiu nesta quarta-feira que as forças insurgentes frustraram os esforços americanos para "estabilizar a segurança no país".Pressionado para mudar a estratégia militar dos Estados Unidos, o presidente afirmou que ainda está avaliando a possibilidade de ampliar temporariamente o número de soldados no Iraque. A medida seria um último esforço para controlar a crescente violência, preparando o caminho para uma retirada. As declarações vêm no mesmo dia em que o recém-empossado secretário de Defesa americano, Robert Gates, realiza sua primeira visita ao país árabe. O presidente afirmou ter pedido ao novo chefe do Pentágono que apresente planos para uma rápida ampliação do Exército e das forças dos Fuzileiros Navais."Estou inclinado a achar que precisamos de um aumento no tamanho permanente do Exército e dos Marines dos Estados Unidos", disse Bush durante uma entrevista coletiva na qual teve que responder a perguntas constrangedoras sobre um ano de derrotas para seu projeto de luta contra o terrorismo.As afirmações de Bush sobre o "fracasso" nos esforços americanos pra estabilizar o Iraque coincidem com uma entrevista publicada pelo The Washington Post nesta quarta-feira em que Bush admitiu que os Estados Unidos não estão ganhando o conflito. Em sua tradicional entrevista coletiva de fim de ano, Bush afirmou também que os Estados Unidos irão pedira "mais de seus parceiros iraquianos" em 2007. O presidente disse também que pretende trabalhar em parceria com a nova maioria democrata no Congresso americano. O partido, de oposição, acabou com 12 anos de hegemonia republicana nas eleições legislativas de 7 de novembro.Balanço negativoBush não esperou pela primeira pergunta para apresentar um balanço surpreendentemente realista dos últimos 12 meses. "2006 foi um ano difícil para as nossas tropas e para o povo americano", disse.Embora a maioria das questões tenham girado em torno do conflito no Iraque, o presidente também foi questionado sobre outros assuntos, como a gravidez de Mary Cheney, a filha abertamente homossexual do vice-presidente Dick Cheney. Bush opõem-se abertamente à união civil entre pessoas do mesmo sexo. "Eu conheço Mary, gosto dele, e tenho certeza de que ela será uma ótima mãe", disse Bush.Sobre a política interna, Bush disse ter visto uma grande abertura para trabalhar com a maioria legislativa democrata que assumirá no dia 4 de janeiro. Segundo o presidente, as duas principais áreas que precisam ser negociadas com a oposição são a reforma da previdência e a questão da imigração.Matéria ampliada às 14h42

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