Insurgentes lançam ataque a possível esconderijo de ditador

Oposição investe contra Bani Walid, último local onde Kadafi e seu filho Saif al-Islam foram[br]vistos após fuga de Trípoli

, O Estado de S.Paulo

02 Setembro 2011 | 00h00

TRÍPOLI

Os insurgentes líbios decidiram intensificar hoje a campanha de cerco a Bani Walid, 163 km a sudeste de Trípoli. Situada no distrito de Misrata, a cidade é tida pelos rebeldes como o provável esconderijo do ditador Muamar Kadafi, de seu filho e antigo herdeiro político, Saif al-Islam, e outras autoridades do regime.

Ontem, a Otan afirmou ter intensificado os bombardeios contra a região, enfraquecendo a defesa kadafista. A operação foi revelada ao Estado por dois diferentes líderes militares em Trípoli.

Um comboio de rebeldes, equipados com armamento pesado, partiria no início da manhã de hoje para fortalecer o cerco a Bani Walid. A operação tem dois propósitos: em um primeiro momento, reduzir o risco de nova fuga de Kadafi e, depois, preparar uma invasão do enclave - onde vivem 50 mil líbios -, caso as negociações para a rendição não sejam bem-sucedidas.

Bani Walid é a cidade onde Khamis Kadafi, filho do ditador e comandante das brigadas de elite do antigo regime, estaria resistindo no início da batalha por Trípoli. É também o ponto onde o "líder" teria sido visto pela última vez, após partir de Trípoli no dia 19, ao lado de Saif e de altos membros do regime, como Abdallah Senoussi, chefe do Itikhbarat, o serviço de inteligência militar. Os três são procurados pelo Tribunal Penal Internacional (TPI).

A informação sobre o último paradeiro conhecido de Kadafi foi repassada por Abdel Majid Mlegta, um dos chefes das operações em Trípoli. Abdel Hafiz Ghoga, vice-presidente do CNT, reconheceu que não há garantias de que o ditador realmente esteja na cidade. "Nós temos informações de que Kadafi estaria em Bani Walid, mas elas não são totalmente confirmadas."

Divisão tribal. A decisão de usar a força, entretanto, não havia sido tomada porque a cidade é um dos principais centros urbanos da tribo Warfalla - a maior do país, com cerca de 1 milhão de integrantes. O complicador é que rebeldes de cidades como Zintan e Benghazi são também de origem warfalla e não desejam matar e ferir seus semelhantes.

Ontem, Mlegta reconheceu o impasse. "Estamos prontos a encerrar a crise, mas a operação militar não é prioridade", afirmou, reiterando que negociações estão em curso. "Dialogamos com líderes de Bani Walid para prender Kadafi e entregá-lo, mas ainda não tivemos resposta."

Os ataques da Otan já teriam arrasado um centro de comando e um arsenal da cidade na quarta-feira, segundo informações da própria organização.

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