Integração asiática é desafio para Obama

Vínculos cada vez maiores entre países do leste dificultam plano dos EUA de aumentar influência na região

Cláudia Trevisan, O Estado de S. Paulo

13 Novembro 2009 | 07h59

Visualizar Giro de Obama pela Ásia em um mapa maior

 PEQUIM - A Ásia que o presidente dos EUA, Barack Obama, encontrará a partir desta sexta-feira, 13, é uma região cada vez mais integrada por laços comerciais, financeiros e de investimentos organizados em torno da China emergente.

 

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Pelo menos no leste da Ásia, esses vínculos econômicos se traduzem em arranjos institucionais que nem sempre incluem os americanos, apesar de a atual administração americana definir seu país como pertence à zona de influência Ásia-Pacífico.

 

O primeiro-ministro do Japão, Yukio Hatoyama, com quem Obama se encontrará hoje, defende uma comunidade do Leste Asiático. Posição semelhante é sustentada pelo primeiro-ministro da Austrália, Kevin Rudd. Os países do Sudeste Asiático já se reúnem na Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean, na sigla em inglês), que tem um formato ampliado chamado de Asean + 3, incluindo China, Japão e Coreia do Sul.

 

"Washington terá de moldar sua relação com o Leste Asiático à crescente integração regional, buscando uma nova abordagem para a área", disse ao Estado Wang Yong, professor da Escola de Estudos Internacionais da Universidade de Pequim.

 

No centro desse novo arranjo está a emergência da China, que tem peso crescente no comércio regional. Em janeiro, entra em vigor o acordo de livre comércio China-Asean, que será o terceiro maior do mundo depois da União Europeia e do Nafta (EUA, México e Canadá). No ano passado, o comércio entre a China e os dez países da Asean atingiu US$ 193 bilhões, acima do intercâmbio entre o bloco e os EUA e próximo do patamar registrado com Japão e União Europeia, maiores parceiros do Sudeste Asiático.

 

Com seu giro de sete dias pela Ásia, o primeiro como presidente dos EUA, Obama pretende ampliar a presença americana na região.

 

Jeffrey Bader, principal assessor do presidente para a Ásia, afirma que a viagem demonstrará que os EUA estão no continente para ficar. "À medida que a Ásia continuar a crescer e novas associações e estruturas tomarem forma, Washington será um participante ativo, não um distante espectador", declarou Bader em palestra no Brookings Institution, em Washington.

 

Depois de Tóquio, Obama vai a Cingapura, onde participará de encontros da Asean e da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec). Posteriormente, segue para a China, onde se reúne com líderes chineses em Xangai e Pequim e visita a Muralha da China e a Cidade Proibida. A visita à Coreia do Sul ocorrerá enquanto seu governo se prepara para enviar à Coreia do Norte um representante para tentar retomar as negociações nucleares com Pyongyang.

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