'Integração regional está parada', diz ex-líder uruguaio

Tabaré Vazquez vê pontos positivos na normalização do Mercosul, mas diz que processo avança pouco

LUIZ RAATZ, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2013 | 02h06

Responsável pela vitória eleitoral que pela primeira vez levou a esquerda ao poder no Uruguai, rompendo a alternância entre blancos e colorados, o ex-presidente Tabaré Vasquez vê pontos positivos na normalização do bloco, com o fim da suspensão do Paraguai e a entrada da Venezuela. No entanto, ele adverte: o processo de integração regional está parado.

"Queremos mais do Mercosul e queremos um Mercosul melhor. Precisamos ajustar seu funcionamento, principalmente no cumprimento de alguns acordos", disse Vásquez, em entrevista ao Estado. "Nós (da Frente Ampla) consideramos o Mercosul não apenas em sua dimensão econômica e comercial, mas também em sua dimensão social. Queremos uma integração mais humana, que a população sinta que sua qualidade de vida melhorou. E isso, creio, está ausente."

Sucessor de Vásquez no governo, o presidente José Mujica apoiou a suspensão do Paraguai do bloco quando o ex-presidente Fernando Lugo foi destituído em um processo relâmpago de impeachment. À época, houve um princípio de discordância na Frente Ampla sobre a medida. O vice-presidente Danilo Astori fez críticas à suspensão do Paraguai e à subsequente adesão da Venezuela ao bloco - defendida por Brasil e Argentina.

"Foi uma decisão muito negativa. Preocupa-me, porque pode, no futuro, abrir um caminho para a incerteza institucional", disse Astori na ocasião.

Dez meses depois, no entanto, a Frente Ampla dá indícios de tratar o assunto como resolvido. Logo após a eleição do presidente Horacio Cartes, Mujica o convidou para a reunião de cúpula do Mercosul em Montevidéu, que oficializaria o retorno do Paraguai ao bloco.

Vásquez, cotado para voltar a disputar a presidência nas eleições de 2014, concorda com o retorno do país vizinho. "Não é bom isolar ninguém. Nem se isolar. Por isso, é bom que o Paraguai volte", declarou. "Com eleições transparentes e democráticas, parece-me que o retorno do Paraguai é absolutamente necessário."

O ex-presidente ainda avalia como positiva a entrada da Venezuela no bloco em razão da oportunidade de trocas comerciais benéficas para os dois países: a importação do petróleo venezuelano - que já conta com facilidades - e a venda de leite, carne e trigo uruguaios.

"O Uruguai tem defendido nos governos da Frente Ampla esse ingresso da Venezuela por tudo aquilo que ela pode contribuir do ponto de vista comercial e econômico", afirmou.

"Além disso, um país do tamanho da Venezuela contribui para diminuir a heterogeneidade entre as maiores economias do bloco (Brasil e Argentina) e as menores (Uruguai e Paraguai). Defendemos também a entrada do México."

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