Integração vira tema de campanha venezuelana

Chávez organiza festas em celebração à adesão do país ao bloco, enquanto opositor usa medida para criticar o governo

GUILHERME RUSSO, O Estado de S.Paulo

01 de agosto de 2012 | 03h01

Tanto o presidente venezuelano e candidato à reeleição, Hugo Chávez, quanto seu opositor na votação marcada para outubro, Henrique Capriles, estão tentando fazer uso do ingresso da Venezuela no Mercosul para se beneficiar na disputa eleitoral no país.

Ontem, o governo conclamava os venezuelanos a eventos populares em celebração à sua entrada no bloco sul-americano. Capriles criticou a medida no dia anterior, afirmando que a adesão só beneficiaria a Venezuela se houvesse uma maior produção interna no país - que, segundo ele, importa "mais de 70%" do que consome.

"A oposição quer demonstrar que a adesão não significa nada de positivo", disse ao Estado o cientista político Óscar Reyes. Para ele, "o empresariado que resistiu" às nacionalizações ocorridas desde que Chávez se tornou presidente, em 1999, tem medo da produção brasileira. "Não estão acostumados com a competição."

Para Sadio di Turno, professor de Ciências Políticas, a subvenção "financiada pela produção petroleira" oferecida às empresas venezuelanas não as estimula a ter preços competitivos. "Os opositores dizem ser a favor (da adesão) para ressaltar problemas como a falta de um mercado interno que possa disputar espaço em um bloco como o Mercosul, criticando a maneira como a Venezuela está entrando. E Chávez faz o máximo de propaganda, para reforçar o apoio popular."

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