AP Photo/Pavel Golovkin - 23/07/18
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Ativista russo que invadiu a final da Copa é internado com sinais de envenenamento

Pyotr Verzilov, integrante do Pussy Riot que preso por quinze dias pela invasão em julho, está em estado crítico na unidade de toxicologia de um hospital de Moscou desde terça-feira após perder a visão, a fala e a mobilidade

O Estado de S.Paulo

13 Setembro 2018 | 03h55
Atualizado 13 Setembro 2018 | 12h14

MOSCOU - O ativista do grupo punk russo Pussy Riot Piotr Verzilov foi internado em um hospital de Moscou em estado "crítico" e com possíveis sinais de envenenamento, denunciou nesta quinta-feira, 13, o grupo em sua página no Facebook.

Verzilov, que é um dos quatro ativistas do Pussy Riot que invadiram o gramado durante a final da Copa do Mundo entre França e Croácia, está desde terça-feira em "estado crítico" na unidade de toxicologia do Hospital Clínico Bakhrushin na capital da Rússia.

Ele também é um dos editores da plataforma independente de notícias MediaZona, que informa sobre os julgamentos de ativistas dos direitos humanos. Recentemente, trabalhava em um filme com Alexander Rastorguyev, morto em agosto ao lado de outros dois jornalistas na República Centro-Africana que investigavam a presença neste país de mercenários russos.

A companheira de Verzilov, Veronika Nikulshina, disse ao jornal digital "Meduza", dirigido pelo próprio ativista, que ele "começou a perder a visão, a fala e a mobilidade" antes de ser hospitalizado.

"Não descarto a possibilidade de uma intervenção externa", afirmou Veronika à rádio Eco de Moscou, antes de afirmar que é necessário aguardar os resultados dos exames médicos.

Seus amigos relataram que a mãe do ativista tentou visitá-lo no hospital, na quarta-feira à tarde, mas os funcionários do local não permitiram e "recusaram informar a ela o estado de saúde e o diagnóstico preliminar de Verzilov".

"No hospital, disseram a sua mãe que não tinham permissão para dar essa informação. Disseram-lhe que fosse embora e foram desrespeitosos. Falaram que ela não podia ficar ali e insistiram em que não podiam dar nenhum dado sobre seu filho até que ele mesmo assinasse a autorização", relatou o "Meduza".

Os amigos do ativista denunciaram que Verzilov não pode assinar nenhuma permissão no estado em que se encontra.

Segundo sua companheira, Verzilov começou a se sentir mal pouco depois de comparecer a uma audiência em um tribunal na terça - no julgamento, ela era acusada de desobediência e ele foi demonstrar apoio. No fim da tarde daquele dia ele se deitou para descansar e quando Veronika chegou a casa, duas horas depois, Verzilov disse que estava começando a perder a visão.

"Entre 20 horas e 22 horas seu estado piorou gradualmente. Primeiro foi a visão, depois sua capacidade de fala e depois a de movimento", relatou Veronika ao "Meduza". "Quando chegaram os paramédicos, ele respondeu suas perguntas e lhes afirmou que não tinha comido nada."

"Foi então que seu estado piorou rapidamente e ele começou a convulsionar. No caminho do hospital, na ambulância, já estava balbuciando. Caiu em um estado meio inconsciente e deixou de responder e de me reconhecer", continuou a companheira de Verzilov.

Segundo ela, os médicos não encontraram "nada de errado" inicialmente em seu diagnóstico preliminar, mas durante a madrugada "transferiram Verzilov repentinamente para a unidade de toxicologia do hospital".

Os funcionários da unidade de saúde se negaram a dizer a Veronika que tinham diagnosticado que o ativista fora envenenado, alegando que ela era somente sua companheira e que portanto não tinha "nenhum direito" de ser informada sobre o resultado dos exames.

"O médico disse que seu estado era grave, mas que sua saúde começava a melhorar e ele já respondia seu nome", finalizou. / EFE e AFP

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