Integrante do governo fala em "sucessão" de Fidel

O presidente da Casa da América e membro do Conselho de Estado de Cuba, Roberto Fernández Retama, afirmou nesta segunda-feira que Fidel Castro retornará ao governo em poucos meses e ressaltou que, enquanto isso, o país vive uma sucessão "pacífica", contrariando o cenário imaginado pelos Estados Unidos."O importante é que os EUA haviam previsto que, se Fidel Castro não estivesse à frente de Cuba, o caos iria se apoderar do país. Tinham previsto que seria impossível uma transição pacífica em Cuba. Pois bem, Fidel não está à frente de Cuba e o que está ocorrendo é uma sucessão pacífica", disse Fernández numa entrevista coletiva em Havana.O presidente da Casa da América reconheceu que Fidel não voltará ao poder "amanhã", mas "sabemos que em alguns meses o teremos outra vez conosco, e o resto são conjeturas".Fidel, que em 13 de agosto completará 80 anos, delegou provisoriamente o poder a seu irmão Raúl, de 75 anos, há uma semana, enquanto convalesce de uma delicada operação intestinal."A forma como ele reassumirá suas tarefas de governo dependerá naturalmente de sua saúde e de muitas outras coisas", acrescentou Retamar, que apresentou um manifesto aprovado por mais de 400 intelectuais que exigem aos EUA que respeitem a soberania de Cuba.Sobre o fato de Raúl Castro não ter feito nenhuma aparição pública desde que assumiu as funções do irmão, Fernández acrescentou: "Raúl se dirigirá ao povo cubano quando julgar pertinente."No mesmo ato, Andrés Gómez, que lidera a "Brigada Antonio Maceo", um grupo de solidariedade com Cuba estabelecido em Miami, considerou que a transferência de poderes já estava prevista por ocasião dos 80 anos de Fidel, e a doença apenas antecipou esta decisão. No entanto, Gómez reconheceu que não tem provas disso.Resposta norte-americanaA secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, qualificou de "mirabolante" a idéia de que os EUA planejam invadir Cuba. Ela reiterou que a Casa Branca está pronta para ajudar os cubanos a conseguir uma transição democrática, mas não trabalha com a hipótese de forçar essa mudança.Matéria ampliada às 21h04

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