Intelectual chinês é detido por causa de livro sobre democracia

O historiador e editor Ding Dong, de 55 anos, foi detido ao tentar publicar o livro de um democrata chinês que morreu esta semana, informou nesta quarta-feira o jornal South China Morning Post.Ding foi detido nesta terça-feira por 20 agentes à paisana que se identificaram como funcionários do departamento de Segredo de Estado. Eles requisitaram o seu computador e mais de 200 livros e manuscritos.Ding era o responsável pela publicação de uma edição reduzida de ensaios sobre desenvolvimento político, democracia e relações internacionais de He Jiadong, um democrata liberal punido várias vezes pelo Partido Comunista, que morreu nesta segunda-feira, aos 83 anos, em Pequim.Os volumes da edição da obra, que foi suspensa, deveriam ser distribuídos entre os parentes e amigos do morto como uma homenagem."Sinto muito que o livro não tenha sido publicado. Pensamos o projeto para mostrar nossos respeitos ao senhor He, que foi um destacado pensador. Suas obras são muito valiosas", disse Ding, ao voltar para casa, na terça-feira à noite.He Jiadong foi subdiretor da Imprensa dos Trabalhadores, e um liberal sempre presente nos principais momentos de tensão histórica do país.Ele lutou contra a invasão japonesa em 1938, com apenas 15 anos, e escreveu na década de 50 o livro "Dedicar tudo ao Partido", um sucesso de vendas na época. Na década seguinte, foi expulso do Partido Comunista da China, acusado de "direitista" por Mao Tsé-tung, por causa de dois outros livros.O escritor passou 14 anos em regiões remotas da China. Voltou a Pequim na década de 80 e foi presidente de várias publicações influentes, que foram fechadas após os protestos estudantis de 1989 e do massacre de Praça da Paz Celestial.Antes de 89, He fundou o Instituto de Pesquisa Econômica e Social sobre assuntos econômicos, que deu origem a publicações como Economy Weekly, líder no movimento pró-democrático dos anos 80.

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