Intelectual reformista é sentenciado à morte no Irã

Um destacado intelectual reformista iraniano foi condenado à morte, acusado de insultar o profeta do Islã e questionar a interpretação dos clérigos conservadores do Corão, disse seu advogado nesta quinta-feira. Uma corte de Hamedan, no oeste do Irã, emitiu a sentença contra o professor universitário Hashem Aghajari, informou à Associated Press o advogado Saleh Nikbakht.Nikbakht disse que Aghajari, um aliado do presidente Mohammad Khatami, e diversos líderes do partido reformista Organização Revolucionária Islâmica Mujahedeen, também foram condenados a 74 chibatadas, proibidos de lecionar por 10 anos e exilados a três remotas cidades do Irã por oito anos.No Irã, são comuns casos de sentenças múltiplas em processos nos quais pretende-se transformar o réu num exemplo para o resto da sociedade. Quando a pena de morte é imposta, outras punições de longo prazo não são aplicadas.Aghajari, um professor de história na Universidade Tabiat-e-Modarres, em Teerã, foi detido em agosto, após uma audiência a portas fechadas em Hamedan. Ele havia proferido um discurso, em junho, no qual questionava as interpretações conservadoras dos clérigos no poder.Nikbakht insiste que seu cliente não disse nenhuma palavra ofensiva ao profeta Maomé. "Não foi dita nenhuma palavra de insulto ao profeta no discurso de Aghajari. O veredicto não passa de uma decisão contra os interesses nacionais do Irã", denunciou.Nikbakht informou ainda que pode apelar da decisão nos próximos 20 dias.De acordo com o advogado de defesa, o veredicto foi "tão insano" que a Suprema Corte deverá derrubar a sentença de morte. Ele disse que Aghajari foi informado da decisão.Os membros do partido de Aghajari apóiam Khatami e seus programas de reforma política e social, transformando-se em alvo dos clérigos conservadores que controlam o Poder Judiciário.Em seu discurso, Aghajari diz que os ensinamentos dos clérigos sobre o Islã são considerados sacros simplesmente porque fazem parte da história, e questionou os motivos pelos quais apenas os clérigos têm o direito de interpretar o Islã. Para ele, cada nova geração deveria ter o direito de interpretar sua fé, e não seguir cegamente os clérigos.

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