Morry Gash/AP
Morry Gash/AP

Inteligência americana teme ameaças extremistas antes de eleição

Autoridades de segurança fazem alertas em memorandos após protestos antirracismo e contra violência policial 

Redação, O Estado de S.Paulo

29 de setembro de 2020 | 20h56

WASHINGTON - Autoridades de segurança dos Estados Unidos estão alertando que extremistas domésticos violentos representam uma ameaça à eleição presidencial em meio tensões políticas crescentes, tumultos civis e campanhas de desinformação estrangeiras.

Memorandos do FBI e do Departamento de Segurança Interna (DHS) dizem que ameaças de extremistas americanos a alvos ligados à eleição provavelmente aumentarão conforme se aproxima a votação de 3 de novembro.

Esses alertas, por ora, praticamente só circularam internamente, mas o escritório de Segurança Interna de New Jersey adotou a medida incomum de ressaltar publicamente o perigo em um relatório pouco notado publicado em seu site na semana passada.

“Você tem um caldeirão de bruxa que nunca havia ocorrido na história dos EUA. E se havia acontecido, fazia décadas, se não séculos”, disse Jared Maples, diretor do escritório de Segurança e Prontidão Interna de New Jersey, que publicou a avaliação.

Os protestos de âmbito nacional contra a injustiça racial e a brutalidade policial dos últimos meses foram essencialmente pacíficos, mas alguns levaram a confrontos violentos, até mesmo entre facções extremistas de esquerda e de direita.

Os EUA estão enfrentando a pandemia de coronavírus, um elevado desemprego e uma eleição presidencial agressiva em um ambiente político polarizado.

Na semana passada, o presidente Donald Trump rejeitou se comprometer com uma transferência de poder pacífica se perder a eleição para o democrata Joe Biden. Ele tenta criar dúvidas sobre a legitimidade do pleito por causa de sua preocupação com a votação pelo correio, que os democratas incentivam durante a pandemia.

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Os casos documentados de fraude na votação pelo correio são extremamente raros, e especialistas eleitorais dizem que seria quase impossível elementos estrangeiros interferirem na eleição enviando cédulas falsas por correspondência.

Até agora, Trump e suas principais autoridades não especificaram publicamente qualquer ameaça de grupos extremistas violentos à eleição. Alguns de seus funcionários apontaram o dedo para anarquistas de esquerda e antifascistas durante protestos contra a brutalidade policial e o racismo, mas registros de tribunais federais fornecem poucos indícios de que manifestantes presos por atos de violência eram filiados a grupos de extrema esquerda./REUTERS

 

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