Inteligência de Kadafi infiltrou agentes entre rebeldes

Ao desmoronar às vésperas de completar 42 anos no poder, o regime de Muamar Kadafi tinha uma precisa noção da força militar dos rebeldes que o cercavam a partir de Zintan, Misrata e Benghazi. A ditadura conhecia cada adversário, mesmo os de segundo e terceiro escalões, e trabalhava para sabotar o movimento insurgente por dentro das estruturas do Conselho Nacional de Transição (CNT). As revelações estão em documentos abandonados no Itikhbarat, a sede do serviço secreto militar de Trípoli, aos quais a reportagem teve acesso.

AE, Agência Estado

04 Setembro 2011 | 10h21

Os papéis foram abandonados por ninguém menos que Aballah al-Senoussi, cunhado de Kadafi e temido diretor do serviço de espionagem do regime, e por seus assessores antes da batalha pelo controle da capital, travada desde 19 de agosto. Situada no centro de Trípoli, a 500 metros do Hospital Central, a sede do Itikhbarat era um dos centros nervosos do Estado policialesco montado por Kadafi ao longo de suas quatro décadas de poder. Por isso, foi atingida por bombardeios da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Com a colaboração de rebeldes, a reportagem visitou o prédio, fechado à imprensa internacional desde que a rede de TV Al-Jazira encontrou nos escritórios documentos comprovando a relação cordial entre parlamentares americanos e o regime, nesta semana. Em ofícios do conselho, alguns dos quais assinados e impressos com papel timbrado nas cores da bandeira revolucionária - verde, vermelho e preto -, constam informações como os nomes e as funções de cada um dos líderes da rebelião e também de membros de segundo escalão.

Fotos revelavam os rostos e os encontros realizados entre os insurgentes de Benghazi e de Zintan, as duas cidades que mais desafiaram o regime. Mapas da região das montanhas de Jabal Nafusah - onde os rebeldes organizaram o ataque a Zawiya, crucial para a conquista de Trípoli - indicam as armas à disposição dos insurgentes, os veículos de guerra e a posição das tropas. Em troca das informações, o regime kadafista subornava insurgentes de Benghazi e Zintan com dinheiro e bens úteis em meio ao caos líbio, como telefones via satélite. Além disso, garantia a segurança dos traidores. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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