Inteligência do Paquistão diz que líder taleban do país está vivo

Autoridades acreditavam que Hakimullah Mehsud havia morrido em bombardeio em janeiro

estadão.com.br

28 de abril de 2010 | 16h03

LONDRES - O líder do Taleban no Paquistão, Hakimullah Mehsud, sobreviveu a um ataque de aviões não tripulados dos EUA em janeiro e está vivo e saudável, disse nesta quarta-feira, 28, um alto oficial dos Serviços de Inteligência do Paquistão ao jornal britânico The Guardian.

 

Mehsud havia sido dado como morto após um bombardeio da Agência de Inteligência Americana (CIA) no Waziristão do Sul em janeiro. Embora o Ministério do Interior paquistanês houvesse confirmado a morte do líder taleban, os serviços de inteligência dos EUA e do Paquistão nunca confirmaram a morte, bem como os insurgentes.

 

Nesta quarta, uma fonte do serviço de inteligência do Paquistão disse ter analisado vídeos do bombardeio de janeiro e disse que outras análises confirmam que Mehsud sobreviveu aos ataques, mas se recusou a dar mais detalhes. "Ele sobreviveu. Sofreu alguns ferimentos, mas está bem", disse a fonte sob condição de anonimato.

 

A sobrevivência de Mehsud será um duro golpe na CIA, que intensificou os esforços para matar o jovem líder taleban no início do ano após ele ter aparecido em um vídeo junto de um membro da rede terrorista Al-Qaeda que matou sete espiões americanos em uma base no sul do Afeganistão em dezembro.

 

O ataque contra Mehsud ocorreu no início de uma ofensiva sem precedentes de aviões não tripulados da CIA no cinturão tribal paquistanês. A agência já realizou 28 ataques do tipo neste ano. Ao longo de 2009, foram 49 bombardeios.

 

Os ataques com aviões não tripulados são criticados pela população paquistanesa por conta do grande número de civis que morrem nesse tipo de ação. A Fundação Nova América informou recentemente que entre janeiro de 2009 e março de 2010, os drones, como são chamados, mataram 690 insurgentes e 181 civis. Segundo a CIA, o número de baixas entre a população foi de apenas 20.

 

A fonte paquistanesa estimou que o número de vítimas civis "estaria entre essas duas cifras", mas insistiu que o sistema de ataques deve ser alterado. "Para os americanos, é um jeito efetivo de fazer as coisas a distância e com poucos danos colaterais. A CIA é totalmente responsável pro isso", disse.

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