Inteligência do Paquistão está envolvida em ataque de Mumbai, diz Índia

Governo diz que interrogatório de americano ligado ao atentado aponta participação de Islamabad

Associated Press

19 de outubro de 2010 | 10h27

NOVA DÉLHI - Um relatório do governo da Índia sobre um interrogatório realizado com um americano condenado pelo atentado terrorista de Mumbai de 2008 aponta que os serviços de inteligência do Paquistão estiveram envolvidos no planejamento do ataque.

 

O ataque, perpetrado pelo grupo rebelde paquistanês Lashkar-e-Taiba, deixou 166 mortos, paralisou o centro financeiro indiano e congelou as conversas de paz entre Índia e Paquistão.

 

David Headley, condenado nos EUA por preparar o atentado, disse ao investigadores indianos em junho que oficiais dos Interserviços de Inteligência do Paquistão (ISI, na sigla em inglês) estavam estritamente ligados aos rebeldes que perpetraram o atentado em Mumbai. Segundo Headley, a agência forneceu informações e verbas para o Lashkar-e-Taiba.

 

"De acordo com o americano, cada grande ação dos insurgentes é feita de forma coordenada com os ISI", aponta o relatório, de caráter secreto, mas obtido pela Associated Press na segunda-feira.

 

A Índia acusa o serviço secreto do Paquistão de estar envolvido com o terrorismo no país e até dirigir grupos rebeldes em alguns casos. Em julho, poucas semanas depois do interrogatório, o secretário de Segurança Interna da Índia, G.K. Pillai, acusou Islamabad de coordenar o atentado a Mumbai e citou o americano como fonte de sua afirmação.

 

Uma fonte do serviço de inteligência paquistanês, que falou sob condição de anonimato, negou as acusações, classificadas como "sem base". Os EUA também acusam o ISI de ajudar o Taleban no combate às forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no Afeganistão.

 

Índia e Paquistão, vizinhos no sul da Ásia, sinalizaram uma melhora das relações neste ano, quando retomaram conversas diplomáticas. Os indianos, porém, acusam os paquistaneses de não coibir o terrorismo em seu território. Os países ainda disputam a região da Caxemira, localizada na fronteira.

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