AP Photo/Jean-Francois Badias - 13/12/17
AP Photo/Jean-Francois Badias - 13/12/17

Inteligência venezuelana conduz operações de busca na casa de opositores

Agentes miram residências de Julio Borges, exilado na Colômbia, e Juan Requesens, detido na terça-feira; partido diz que se trata de uma tentativa de plantar evidência

O Estado de S.Paulo

10 Agosto 2018 | 03h07

CARACAS - Agentes do serviço de inteligência da Venezuela realizaram buscas nas residências dos líderes da oposição, Julio Borges e Juan Requesens, acusados pelo governo de serem os responsáveis pelo suposto atentado contra o presidente Nicolás Maduro. A operação foi relatada por Requesens e seu partido, o Primeira Justiça, em rede social.

"Sem mandado de busca, sem presença de advogados, funcionários da SEBIN (o serviço de inteligência da Venezuela) entraram na casa de Julio Borges para incriminá-lo", informou o Primeira Justiça. A sigla afirma que a operação busca plantar provas nos locais para validar a acusação de Maduro.

 

Atualmente exilado na Colômbia, Borges confirmou a operação. Antes de deixar o país, o político era o presidente da Assembleia Nacional e líder da oposição ao governo.

"Durante mais de quatro meses estive fora de minha casa e qualquer coisa que possam colocar lá, armas, drogas, documentos, será produto da imaginação deles", afirmou Borges, em transmissão em rede social. "Você (Maduro) não é nenhuma vítima. Você é o acusador".

 

O Primeira Justiça também informou que operação semelhante estava sendo conduzida na residência de Juan Requesens, detido na terça-feira, 7, por aparente envolvimento no suposto ataque.

Maduro afirmou que obteve provas que comprovam a responsabilidade de Borges no suposto atentado conduzido com drones carregados com explosivos no último sábado, 4. O presidente trata o caso como uma tentativa de "magnicídio". Outro líder opositor, o parlamentar Juan Requesens, também foi acusado pelo governo e foi detido pela inteligência venezuelana na segunda-feira, 6.

Na quarta-feira, 8, o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela determinou a prisão imediata de Borges e Requesens. No mesmo dia, a Assembleia Constituinte, que rege o país e, na prática, têm a função de parlamento, determinou a suspensão da imunidade parlamentar da dupla.

Os argumentos que baseiam as acusações de Maduro foram retiradas do depoimento de um dos suspeitos de conduzir o suposto atentado, Juan Carlos Monasterios, que afirmou aos agentes da inteligência que o ataque foi idealizado por Borges e Requesens e a partir da Colômbia. //AFP

 

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