Bloomberg / Chris Ratcliffe
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Intenção de manter Xi Jinping no poder indefinidamente desperta críticas nas redes sociais

Muitos internautas compararam a decisão com a dinastia norte-coreana, que reina desde os anos 1940; alguns comentários foram retirados do ar e a rede social Weibo chegou a bloquear pesquisas com o termo ‘limite de dois mandatos’

O Estado de S.Paulo

26 Fevereiro 2018 | 10h20

PEQUIM - O plano da China para manter o presidente Xi Jinping no poder indefinidamente provocou oposição nas redes sociais, incitando comparações com a dinastia reinante na Coreia do Norte e acusações sobre a criação de um ditador vindas de um ativista pró-democracia de Hong Kong.

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A reação observada nas redes sociais na noite de domingo logo levou a China a realizar um esforço de propaganda orquestrado nesta segunda-feira, 26, bloqueando alguns artigos e publicando textos de exaltação do partido.

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O governista Partido Comunista propôs a anulação de uma cláusula constitucional que estabelece um máximo de dois mandatos presidenciais, o que significa que Xi, que também comanda o partido e os militares, pode não ter que se aposentar jamais.

A proposta, que será aprovada por delegados fiéis ao partido na reunião anual do Congresso essencialmente simbólico da China em março, é parte de um pacote de emendas na Constituição do país.

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A medida também acrescentará à Carta Magna o pensamento político de Xi, já adicionado à Constituição partidária em 2017, e estabelecerá um estrutura legal para um poderoso organismo anticorrupção, além de fortalecer de forma mais ampla o controle rígido do partido no poder.

Mas parece que o partido terá trabalho para convencer algumas pessoas na China - onde atualmente Xi é muito popular, em parte graças à sua guerra à corrupção - de que a medida não acabará dando poder demais ao seu líder.

“Que horror, vamos nos tornar a Coreia do Norte”, escreveu um internauta em referência à nação onde a dinastia Kim reina desde o fim dos anos 1940. Kim Il-sung fundou a Coreia do Norte em 1948, e sua família comanda o país desde então. “Estamos seguindo o exemplo do nosso vizinho”, escreveu outro usuário.

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Os comentários foram retirados do ar na noite de domingo e a rede social Weibo começou a bloquear nas pesquisas o termo “limite de dois mandatos”.

Em uma medida incomum em meio à intensa atenção midiática internacional, o Ministério das Relações Exteriores chinês, que normalmente só comenta assuntos diplomáticos, disse que emendar a Constituição é assunto do povo chinês.

Desde 1954, quando a Constituição foi adotada, todos podem ver que ela vem sendo “melhorada continuamente”, disse o porta-voz da chancelaria, Lu Kang, em um boletim de rotina à imprensa. / REUTERS

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