Intensificam-se ataques na antes tranquila Mosul

Insurgentes atacaram hoje três comboios militares dos EUA com granadas propelidas por foguete e bombas em beira de estrada, matando três civis iraquianos e ferindo cinco americanos em Mosul. Os ataques ocorreram numa cidade que era considerada relativamente tranquila para as tropas dos EUA, comparada com Bagdá e outras cidades no volátil "triângulo sunita". Também hoje, soldados da 82ª Divisão Aerotransportada dos EUA capturaram dois ex-generais do Exército iraquiano em Faluja. Os generais, não identificados pelos militares dos EUA, são suspeitos de serem "financiadores-chave" e organizadores da resistência na rebelde cidade 65 km a oeste de Bagdá. No domingo, guerrilheiros derrubaram nas proximidades de Faluja um helicóptero Chinook, matando 15 soldados dos EUA no mais mortal ataque contra forças americanas desde o início da guerra em 20 de março. Não houve notícia hoje de morte de soldados americanos em ataques. Mas um soldado da 1ª Divisão Blindada morreu de ferimento de bala num "incidente não hostil" num posto de checagem em Bagdá, informaram os militares. Em Bagdá, o novo presidente do Conselho de Governo iraquiano, apontado pelos EUA, Jalal Talabani anunciou que irá visitar a Turquia em 19 de novembro a fim de melhorar as relações entre os dois países. Ele também pretende visitar o Irã e a Síria. As relações com a Turquia ficaram estremecidas no mês passado quando o Parlamento turco aprovou o envio de tropas ao Iraque a fim de colaborar com a ocupação americana. O Conselho de Governo se opõe fortemente à entrada de tropas turcas devido à hostilidade entre a minoria curda e más lembranças de quatro séculos de dominação dos otomanos turcos. Talabani, que assumiu a presidência rotativa no domingo, é um destacado político curdo. Mas ele, no passado, uniu-se a tropas turcas no combate a rebeldes curdos da Turquia. Na terça-feira, o embaixador da Turquia nos EUA, Osman Faruk Logoglu, afirmou que seu país só enviaria tropas ao Iraque caso recebesse um convite do Conselho de Governo. O administrador americano no Iraque, Paul Bremer, deu seu apoio para a criação de uma força paramilitar composta por iraquianos para combater de forma mais eficaz a resistência no país, revelou o jornal The Washington Post. O grupo paramilitar, proposto pelo Conselho de Governo, seria integrado por antigo militares, policiais e agentes de segurança. O secretário britânico de Defesa, Geoff Hoon, afirmou hoje que a situação no Iraque ainda é preocupante, mas ressaltou que o clima em algumas cidades e em bairros da capital é "tranqüilo". Hoon evitou fazer uma previsão de quando as tropas americanas e britânicas deixarão o Iraque.

Agencia Estado,

05 de novembro de 2003 | 17h48

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