Intensos tiroteios na Faixa de Gaza

Tropas israelenses e militantespalestinos travaram hoje intensos tiroteios na Faixa deGaza e nas proximidades de Jerusalém, enterrando tênuesesperanças levantadas por um plano de trégua apoiado pelosEstados Unidos de que o ciclo de violência no Oriente Médiopudesse de alguma forma ser rompido. Trinta e oito palestinos, entre os quais 15 crianças, ficaramferidos em três horas e meia de tiroteios no campo de refugiadosde Rafah, em Gaza. Na Cisjordânia, um motorista israelense foimorto a tiros numa emboscada palestina, e, nos arredores deJerusalém, um israelense de 86 anos foi gravemente ferido pordisparos palestinos. O plano de cessar-fogo apresentado por uma comissãointernacional encabeçada pelo ex-senador norte-americano GeorgeMitchell pedia aos dois lados para suspenderem a violência eexortou Israel a congelar construções em assentamentos judaicosna Cisjordânia e Faixa de Gaza. Respondendo à Comissão Mitchell, Israel anunciou naterça-feira que não suspenderia construções em áreas que ospalestinos reivindicam para um futuro Estado, mas afirmou queobservaria uma trégua unilateral limitada. O ministro da Defesa de Israel disse que suas tropas nãoiniciariam operações militares e só disparariam em situações derisco de vida. Palestinos rapidamente denunciaram a oferta como um complô derelações públicas e afirmaram que a calma só poderia serrestaurada com o congelamento na construção dos assentamentos. Eles também disseram que Israel imediatamente quebrou suapromessa. Hoje, a polícia palestina noticiou a incursão detanques israelenses em quatro áreas sob controle palestino naFaixa de Gaza. Buldôzeres israelenses arrancaram dois bosques deoliveiras e arrasaram uma granja nas incursões, disseramtestemunhas. O Exército israelense não confirmou nem negou aação. Os dois lados se acusaram mutuamente pelo início dosconfrontos em Rafah. O Exército israelense afirmou que suastropas ficaram sob forte fogo e que os palestinos tambémdispararam várias granadas antitanque. Testemunhas palestinasrelataram que soldados israelenses dispararam contra o campo semprovocação. Dos 38 feridos, três estavam em condições críticas, incluindoum menino de 14 anos atingido por um tiro no pescoço, disserammédicos. Num dado momento, um disparo de tanque israelenseexplodiu perto de um grupo de moradores e 10 pessoas foramferidas por estilhaços. Israel insiste que nenhum de seusdisparos teve como alvo o campo de refugiados. Numa segunda batalha, atiradores palestinos dispararam dacidade cisjordaniana de Beit Jalla contra Gilo, um bairrojudaico construído em território conquistado na Guerra dos SeisDias, de 1967, e anexado a Jerusalém, afirmou a polícia. Umisraelense de 86 anos foi gravemente ferido no peito. Gilo tem sido um alvo freqüente de atiradores palestinos. Hoje disparos israelenses alcançaram pela primeira vez a vizinhançapróxima de Malcha, onde fica um movimentado shopping center. Enquanto isso, na Cisjordânia, um motorista israelense foimorto e um segundo ficou ferido numa emboscada palestina. OExército anunciou que tropas chegando ao local também foramrecebidas a tiros e responderam ao fogo. Desde o início da atual onda de violência em setembro último,472 palestinos e 85 israelenses já foram mortos. O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, telefonouhoje para o líder palestino Yasser Arafat e para oprimeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, e pediu aos dois paraagirem no sentido de pôr fim à crescente violência. Foi apenas a segunda conversa telefônica entre Bush e Arafat.E o presidente americano não convidou o líder palestino paraencontrar-se com ele na Casa Branca, informou uma fonte dogoverno dos Estados Unidos. Assessores de Sharon disseram que Bush considerou a propostade cessar-fogo israelense "muito importante". Assessores deArafat afirmaram que o líder palestino pediu a Bush para pôr fimao que classificou de contínua agressão israelense. Autoridades palestinas consideraram a proposta de tréguaisraelense um complô e pediram a realização de uma cúpulainternacional para decidir como implementar as recomendações deMitchell. "É uma prática de relações públicas para consumo dos públicosisraelense e norte-americano", disse o ministro palestino daInformação, Yasser Abed Rabbo. O chanceler israelense, Shimon Peres, pediu aos palestinospara participarem do esforço de trégua. "Li que alguns denossos vizinhos palestinos disseram que trata-se apenas de umtruque, um truque de relações públicas, da parte de Israel. Euconvido os palestinos a fazerem o mesmo truque", afirmouPeres.

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