Interceptação de U-2 ocorreu por erro da ONU, diz Bagdá

O Iraque informou que os inspetores de armas da Organização das Nações Unidas (ONU) pediram desculpas pelo vôo de um avião de vigilância norte-americano sobre o país nesta terça-feira, e qualificou o incidente como um "erro técnico", reconhecido como tal pelos especialistas estrangeiros.Funcionários americanos acusaram caças iraquianos de terem ameaçado dois aviões de espionagem U-2, obrigando-os a interromper suas missões e retornar à base.Uma fonte do Pentágono garantiu que a decisão de encerrar as missões foi tomada "por questões de segurança".Em Bagdá, o general Hossam Mohammed Amin, chefe do escritório de ligação iraquiano com os inspetores de armas da ONU, disse que o segundo vôo de U-2 não estava agendado para hoje.Ambos os vôos ocorreram na madrugada desta terça-feira e a ordem para que as aeronaves deixassem o espaço aéreo iraquiano partiu dos inspetores de armas, garantiu o militar.Amin disse que o ponto de entrada da segunda aeronave foi detectado na fronteira entre Iraque e Arábia Saudita, e não na fronteira com o Kuwait, como vinha ocorrendo desde o início dos vôos no mês passado.Ele revelou ter entrado em contato com o representante dos inspetores de armas em Bagdá. O funcionário da ONU então disse a ele que um erro técnico havia ocorrido. "Ele prometeu que o erro não se repetiria e desculpou-se com sinceridade", comentou Amin.Os inspetores "pediram que os dois aviões retornassem", disse Amin numa entrevista coletiva, convocada às pressas na sede do Ministério do Interior do Iraque.Amin ironizou a versão norte-americana dos fatos, dizendo que ela reflete "a frustração e o fracasso das política norte-americana de buscar desculpas para agredir o Iraque".Os vôos dos aviões U-2 ocorreram por volta das 2h da manhã (horário de Bagdá) e os caças iraquianos partiram para interceptar as aeronaves. De acordo com duas fontes, a ameaça era dirigida a um dos dois aviões.Vôos múltiplos são permitidos pela resolução aprovada pelo Conselho de Segurança (CS) da Organização das Nações Unidas (ONU) em novembro último. O governo norte-americano buscou esclarecimentos após a suspensão dos vôos.Ewen Buchanan, porta-voz da agência de inspeções de armas em Nova York, disse que as autoridades iraquianas "ficaram surpresas" quando foram notificadas sobre os vôos simultâneos e os inspetores de armas ordenaram o retorno das aeronaves. Mais vôos dos aviões de espionagem U-2 e Mirage estão previstos, segundo ela.

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