Jorge Silva / Reuters
Jorge Silva / Reuters

Interesses de Trump e Putin em conflito na Venezuela

Rússia tornou-se o principal sustentáculo da ditadura de Nicolás Maduro

Helio Gurovitz, O Estado de S.Paulo

01 Julho 2018 | 05h00

A visita do vice americano, Mike Pence, à América Latina, com sua passagem por abrigos a refugiados venezuelanos em Manaus, deixou no ar uma pergunta: a Venezuela estará na pauta do encontro entre Donald Trump e Vladimir Putin, marcado para julho em Helsinque?

A Rússia tornou-se o principal sustentáculo da ditadura de Nicolás Maduro. A estatal russa do petróleo Rosneft tem ampliado parcerias com a venezuelana PDVSA para financiar o regime chavista. “A linha de crédito para Maduro pagar funcionários públicos e militares é, na verdade, o governo russo”, escreveu a analista do Wilson Center Diana Villiers Negroponte. A última tacada russa é ressuscitar o plano de erguer na Venezuela a maior fábrica da Kalashnikov fora da Europa, capaz de produzir 25 mil fuzis AK-103 por ano. A agência Tass anunciou o início da produção para o ano que vem.

O artífice dessa estratégia é o oligarca Igor Sechin, presidente da Rosneft, considerado o segundo homem mais poderoso da Rússia. Conhecido pelo apelido de “Darth Vader”, é um operador impiedoso, visto como candidato à sucessão de Putin em 2024. Sechin é formado em linguística e, além de falar espanhol e francês, é conhecido pela fluência e proficiência em português. Começou sua carreira como agente da KGB em Maputo, Moçambique, nos anos 1980.

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O risco de ampliação da guerra comercial

Apesar da reação destemperada de Trump, o anúncio de que a Harley-Davidson transferirá fábricas para a Europa é sinal de que muitas empresas têm como se adaptar às tarifas impostas por seu governo até agora. A guerra comercial deverá, por isso mesmo, ter efeito limitado no PIB global nos próximos anos. Mas não está descartado o risco de uma escalada que prejudique a confiança dos investidores e limite as perspectivas de crescimento. Sobretudo depois do envolvimento na disputa de tradicionais parceiros americanos, como Canadá e União Europeia. O quadro resume a disputa até o momento.

O desafio Trump na Suprema Corte

O sucessor do juiz Anthony Kennedy, aposentado aos 81 anos, será o segundo conservador indicado por Trump à Suprema Corte, depois de Neil Gorsuch. Poderá não ser o último. Na ala liberal, Ruth Bader Ginsburg tem 85 anos; Stephen Breyer completa 80 este ano; Sonia Sotomayor, de 64, sofre de diabetes. O conservador mais velho, Clarence Thomas, tem 69. 

As probabilidades biológicas dão a Trump a chance de redefinir questões como aborto, negócios, leis eleitorais ou penais – desde que não repita escolhas como Sandra Day O’Connor (Reagan) ou David Souter (Bush pai), que se tornaram liberais no tribunal. O próprio Gorsuch, no primeiro ano, se revelou centrista e votou com os liberais 44% das vezes.

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Cerco contra Bibi aperta em Israel

Dezoito anos depois das primeiras denúncias de corrupção contra Bibi Netanyahu, a Justiça israelense começa enfim a apertar o cerco ao primeiro-ministro. Duas investigações policiais – uma envolvendo propinas; a outra, um acordo nebuloso sobre submarinos com a Alemanha – continuam sobre a mesa do procurador-geral Avishai Mandelblit à espera de decisão. 

No mês passado, Mandelbit pôs pela primeira vez o sobrenome Netanyahu numa denúncia. A mulher de Bibi, Sara, foi acusada pelo uso ilegal de US$ 100 mil em dinheiro público para financiar suas experiências gastronômicas, incluindo as célebres garrafas de champanhe cor de rosa. Bibi afirma não ter desrespeitado nenhuma lei. Sua popularidade segue inabalada.

 

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