Saul Martinez/The New York Times
Saul Martinez/The New York Times

'Enquanto apoiam Trump, venezuelanos têm interesses próprios sacrificados'

Segundo cientista político, venezuelanos aguardam com expectativa medida que os protegeria de deportação, mas está congelada no Senado

Entrevista com

Eduardo Gamarra, professor da Florida International University

Renata Tranches, O Estado de S.Paulo

21 de julho de 2019 | 06h00
Atualizado 22 de julho de 2019 | 16h48

Venezuelanos exilados na Flórida vivem uma situação contraditória. Enquanto esperam que o presidente Donald Trump conquiste a reeleição e faça algo por seu país, correm o risco serem deportados, como explica o professor e cientista político da Florida International University Eduardo Gamarra, em entrevista ao Estado.

 

Trump conquista votos de cubanos e venezuelanos ao acusar adversários de socialistas?

Essa mensagem é muito efetiva para esse eleitorado. Mas há uma coisa importante: o governo Trump está deportando um grande número de cubanos e venezuelanos. Os venezuelanos estão esperando que o Congresso aprove uma política que se chama TPS (Status de Proteção Temporário), que o governo cancelou recentemente para haitianos, nicaraguenses e outras comunidades.

Como está o trâmite?

A Câmara dos Deputados, dominada pelos democratas, já o aprovou, mas o Senado, dominado pelos republicanos, ainda nem considera analisá-lo. Se o Senado aprovar essa política, pode ser prejudicial para a imagem de Trump. O que está acontecendo é que os venezuelanos têm de apoiar o presidente pelo que ele diz que fará na Venezuela, mas seus interesses próprios na Flórida, nos EUA, estão sendo sacrificados.

Como os democratas usam essa situação politicamente?

Os democratas estão em uma posição muito difícil. Eles não têm o poder para mudar nada na Venezuela. E alguns de seus membros na Câmara, particularmente o “Squad” - grupo de quatro deputadas que Trump tem criticado recentemente - tem dado algumas declarações, como por exemplo, de que os EUA não deveriam interferir na Venezuela, de que se deve respeitar os direitos de não intervenção. Tudo isso ajuda a percepção de que o partido é socialista. É muito fácil para o presidente chamar todos de socialistas.

Quais são, então, as propostas do partido para esses países?

A posição do ex-presidente Joe Biden, por exemplo, é muito mais moderada e mais representativa do Partido Democrata. Para Venezuela, é uma posição muito mais coerente, com rechaço a Maduro e apoio a Guaidó e, sobretudo, apoio ao TPS para os venezuelanos que moram e estão registrados nos EUA.

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