Internação de Cristina Kirchner faz líder chilena cancelar visita

Presidente argentina apresenta quadro de febre infecciosa, masgoverno não divulgou detalhes de sua saúde

ARIEL PALACIOS , CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

04 Novembro 2014 | 02h01

A presidente do Chile, Michelle Bachelet, cancelou ontem a viagem que faria à Argentina, em razão do estado de saúde de Cristina Kirchner. Internada no domingo com um "quadro febril infeccioso", a presidente argentina se encontraria com a chilena hoje em Buenos Aires. Ontem, a Unidade Médica Presidencial anunciou que Cristina está com um quadro de inflamação no sigmoide, trecho entre o cólon e o esfíncter anal.

Segundo o boletim médico, lido pelo porta-voz da Casa Rosada, Alfredo Scoccimaro, Cristina continuará internada no Sanatório Otamendi, hospitais privados no bairro da Recoleta. "Os médicos informaram que ela se encontra estável, sob tratamento médico endovenoso", disse Scoccimaro.

Quando foi internada, a presidente apresentava um quadro febril infeccioso. A Casa Rosada, tal como em outras internações de Cristina, deu poucos detalhes. O chefe do gabinete de ministros, Jorge Capitanich, em sua entrevista coletiva diária, não comentou o assunto.

Além da visita de Bachelet, também foi cancelada uma videoconferência entre Cristina e o papa Francisco, marcada para ontem. Integrantes do governo Kirchner afirmaram que seu atual problema de saúde era "algo passageiro".

A presidente acumula vários problemas na agenda de trabalho. Seu governo sofre com confrontos entre ministros, escalada inflacionária, recessão, protestos sociais e com os "holdouts", denominação dos credores da dívida pública que não aceitaram a troca de bônus feita pelo governo em 2005 e 2010.

A popularidade de Cristina está em queda. Segundo uma pesquisa da consultoria Management & Fit, 66% dos entrevistados não querem que o kirchnerismo vença as eleições presidenciais do ano que vem. A pesquisa também indicou que, na hipótese de os argentinos poderem votar na segunda reeleição consecutiva de Cristina (algo proibido pela Constituição), 70% não o fariam.

A saúde de Cristina é objeto de especulações desde que ela era primeira-dama, no governo de Néstor Kirchner. Cristina teve vários episódios de lipotimias (mal-estar pré-desmaio) nos últimos 11 anos. No entanto, os casos aumentaram após 2010, já como presidente. Em 2011, um desmaio, seguido de repouso de cinco dias, provocou rumores sobre desordens alimentícias, depressão e até complicações decorrentes de uma hipotética cirurgia estética.

Em dezembro daquele ano, o governo anunciou que Cristina tinha câncer na tireoide. Ela foi internada na cidade de Pilar, no Hospital Austral, foi submetida a cirurgia e, um mês depois, o governo admitiu que o diagnóstico de câncer foi um erro. Em outubro de 2013, a presidente foi operada para drenar um hematoma na meninge dura-máter, membrana localizada entre o cérebro e o crânio. Além disso, a Casa Rosada informou que a presidente sofre de arritmia cardíaca.

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