Internet se restringe a poucos sites, todos locais

Para estudantes de Pyongyang, palavras como Facebook ou Twitter não têm nenhum significado

PYONGYANG, O Estado de S.Paulo

15 de abril de 2012 | 03h03

Na melhor universidade da Coreia do Norte, as palavras Google, Twitter e Facebook não têm nenhum significado. Entre os jovens reunidos ali, a elite intelectual do país, a internet é representada pela página da Universidade Kim Il-sung e links para coletâneas de livros do grande líder ou de sua ideologia juche.

No país mais fechado do mundo, a vida virtual é quase inexistente.

Na biblioteca, cerca de 40 jovens estavam sentados diante de telas de computadores quando chegou ao local o grupo de jornalistas estrangeiros convidados pelo governo para conhecer o que o país tem de melhor.

Choc Un-gyong, de 24 anos, mestranda em Tecnologia da Informação, lia livros sobre o tema no site da instituição. Indagada sobre se usava a internet todos os dias, afirmou que sim. No entanto, sites de busca usados todos os dias no restante do mundo são palavras incompreensíveis para Gyong.

Com um olhar um pouco perdido diante das perguntas, garantiu que usava a rede apenas para "fazer pesquisas em sua área".

O que é natural para jovens em outros países, faz pouco sentido para os norte-coreanos. Quais os sites preferidos? Hong Song-gyong, de 19 anos, disse que é o da universidade e outro sobre a Coreia do Norte. Não entende quando é questionada sobre Facebook, Twitter e outros sites internacionais.

A "internet" a que a maior parte dos coreanos tem acesso é, na verdade, uma intranet do país, restrita a sites do governo ou das universidades.

Não existe nenhuma conexão com a rede mundial de computadores.

Desplugados. Os jovens norte-coreanos não jogam videogame, não baixam músicas pela internet e não trocam e-mails com quem está no exterior.

Símbolos da juventude ocidental, calças jeans, tênis e camisetas estão ausentes do guarda-roupa local.

Na universidade, o uniforme é terno para os meninos, saia e blazer para as meninas. Eles também não ouvem rock, não saem para dançar e não frequentam barzinhos - até porque não existem em Pyongyang. A diversão é nadar, ou jogar ping-pong.

Song-gyong afirma que às vezes assiste a filmes e vai ao teatro. Gosta de ouvir cantores, mas não sabe definir um tipo de música que gosta.

Kim Il-juang, de 27 anos, fez 7 anos de serviço militar e entrou na universidade em 2010. A piscina da instituição - doada, como tudo na Coreia do Norte, pelo camarada Kim Jong-il - parece ser uma das suas poucas diversões. Ao sair das aulas, ajuda a construir um novo prédio para a universidade.

Nas suas horas de folga, gosta de ouvir músicas sobre os camaradas Kim Il-sung, Kim Jong-il e assistir na TV a documentários sobre os dois líderes e também sobre o atual, elevado ao poder poucos meses atrás, Kim Jong-un.

"Somos estudantes, nosso dever é estudar para ajudar a melhorar o nosso país. Então o que faço com meu tempo livre é estudar", contou. / C.T. e L.P.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.