Interpol busca fundador de empresa responsável por implantes defeituosos

Governo francês pede a mulheres que removam silicone para evitar risco de rompimento; Grã-Bretanha diz que cirurgia não é necessária.

BBC Brasil, BBC

23 de dezembro de 2011 | 23h55

A Interpol disse que está em busca do fundador de uma empresa francesa no centro de um escândalo mundial de implantes de silicone defeituosos.

A Agência de Polícia Internacional listou Jean-Claude Mas, de 72 anos, como procurado na Costa Rica por ofensas de "vida e saúde".

Horas antes, a França alertou 30 mil mulheres para que removam os implantes de seios feitos pela empresa Poly Implant Prothese (PIP), de Mas.

O Ministério da Saúde disse que não há risco comprovado de câncer, mas que os implantes podem se romper perigosamente.

No entanto, o governo britânico descartou a remoção dos implantes, dizendo que "não há evidências suficientes" para preocupações de saúde.

Acredita-se que cerca de de 40 mil mulheres tenham os implantes no país.

'Decência e discrição'

Em um "alerta vermelho", a Interpol divulgou duas fotos de Jean-Claude Mas e afirmou que ele é procurado por autoridades da Costa Rica, sem dar mais detalhes.

O advogado da PIP, Yves Haddad, disse à agência de notícias Reuters que Mas está na região de Var, no sudeste da França, e que pretende ficar lá.

Haddad disse ainda que o fundador da empresa ainda não falou publicamente sobre o escândalo por "decência e discrição".

Mulheres em todo o mundo tem implantes da empresa, mas a maioria delas vive na América do Sul e no leste europeu.

No Brasil, estima-se que 35 mil mulheres utilizaram próteses da PIP desde 2005.

O Ministério da Saúde francês diz que mulheres com estes implantes não tem um risco maior de câncer do que as que usam próteses de outras empresas, mas afirma que há "riscos verificados de ruptura".

O ministro Xavier Bertrand pediu às mulheres francesas que removam os implantes como "medida preventiva", mas disse que a remoção não é "urgente".

A cirurgia corretiva será paga pelos fundos de saúde pública, mas o Estado francês só pagará por uma nova prótese se o tratamento tiver sido feito como parte de uma cirurgia reconstrutiva após câncer de mama.

Se as mulheres não quiserem retirar os implantes, o Estado pagará por seis meses de exames de ultrassom.

A Autoridade de Regulamentação de Remédios e Produtos de Saúde britânica (MHRA), disse que a França teve um índice de ruptura dos implantes de 5%, comparado com 1% na Grã-Bretanha.

Oito casos de câncer foram registrados em mulheres com os implantes, mas as autoridades francesas dizem que eles não estão necessariamente ligados às próteses defeituosas. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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