Interrogador de Guantánamo agachou-se sobre Alcorão

Agentes do FBI em Guantánamo viram um interrogador militar agachando-se sobre o Alcorão para irritar um prisioneiro, e também viram um preso com a cabeça enrolada em fita adesiva, mostraram documentos de um inquérito interno de 2004. Os documentos resultaram de uma pesquisa com quase 500 funcionários do FBI, a quem se perguntou se haviam presenciado técnicas agressivas de interrogatório ou maus-tratos de presos na base militar norte-americana que fica na baía de Guantánamo, em Cuba. Mais de 25 incidentes foram relatados. As 244 páginas de documentos foram divulgadas na página do FBI na Internet na terça-feira, e foram entregues à União Americana de Liberdades Civis, dentro do processo judicial aberto pela entidade. "O FBI acredita que essas informações ou dados significativamente semelhantes já foram divulgadas nesse processo", disse a agência. Em um dos incidentes, em outubro de 2002, um detento foi colocado numa cabine de madeira, onde os interrogadores gritaram com ele, segundo os documentos. Um interrogador agachou-se sobre o Alcorão, o que "enfureceu" o prisioneiro, afirmou o documento. O FBI disse que a sondagem não encontrou evidências de que seus funcionários tenham maltratado os detentos. Um porta-voz do FBI disse que as informações coletadas na pesquisa foram entregues ao inspetor geral do Departamento de Defesa. Segundo o Pentágono, Guantánamo possui atualmente 395 detentos. A maioria foi capturada durante a invasão ao Afeganistão, em represália aos ataques de 11 de setembro de 2001.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.