Interrogados dois suspeitos do atentado em Bali

Autoridades policiais interrogaram nesta terça-feira dois homens sobre a explosão em uma boate em Bali que matou pelo menos 181 pessoas. No local do atentado foi encontrado traços de explosivo. A explosão matou pelo menos 181 pessoas e feriu mais de 300, a maioria turistas estrangeiros, e provocou fortes pressões sobre a Indonésia para reprimir terroristas da Al-Qaeda e aliados locais acusados do atentado. O porta-voz da polícia, major-general Saleh Saaf, disse que já foram interrogadas 47 pessoas e que um segurança e outro homem estavam continuavam prestando depoimentos. Ele negou rumores que os dois haviam sido presos. Um deles é irmão de um homem cuja carteira de identidade foi encontrada no local da explosão, disseram oficiais de inteligência.Traços de explosivo plástico de uso militar C-4 - semelhante ao usado no ataque dois anos atrás ao destróier USS Cole no Iêmen - foram encontrados no local, anunciou o chefe da Polícia Nacional, Da´i Bachtiar.Três dias depois da explosão que destruiu o Sari Club, Bali ainda tinha problemas para lidar com os corpos. No principal hospital da ilha - agora amplamente usado como necrotério - dezenas de voluntários ajudavam a cuidar dos corpos, ou mantendo-os no gelo ou colocando-os em contâineres refrigerados, para conter a decomposição no calor tropical. A Austrália, que perdeu dezenas de cidadãos no ataque, providenciava a repatriação de seus corpos.O chefe da inteligência da Indonésia, Mohamad Abdul Hendropriyono, disse aos jornalistas que sua organização estava cooperando com agências estrangeiras na investigação."Esse ataque foi bem planejado e exigiu a participação de especialistas em lidar com bombas de alta tecnologia", avaliou. "É uma tarefa muito complicada e está além da capacidade de pessoas do local".Fim do Laskar JihadCom a Indonésia sob forte pressão internacional para atuar contra o terrorismo, um violento grupo islâmico ligado aos militares indonésios, anunciou sua extinção - o primeiro sinal aparente de que o governo está levando a sério a repressão ao extremismo islâmico.O anúncio do grupo Laskar Jihad ocorreu no momento em que um acusado líder espiritual de outra rede extremista, vinculada à Al-Qaeda, informou que se submeteria a interrogatório policial.A dissolução do Laskar Jihad seria uma forma relativamente fácil de mostrar a disposição de Jacarta de enfrentar o terrorismo, e talvez ajude nos esforços para conseguir a retomada da ajuda militar americana. O grupo não é suspeito do ataque em Bali, mas retirá-lo de cena ajudaria o governo a responder a acusações de que estava fazendo vista grossa para a violência extremista.O Laskar Jihad é acusado do assassinato de milhares de cristãos num conflito sectário nas Ilhas Maluku, da Indonésia. Nos últimos meses, as atividades do grupo, que tem profundos laços com militares indonésios, provocaram embaraços para as autoridades.

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