Intervenção de líder buscou pôr fim a disputa no chavismo

Bastidores: Roberto Lameirinhas

O Estado de S.Paulo

10 de dezembro de 2012 | 02h01

Os médicos cubanos que tratam Hugo Chávez queriam submetê-lo a nova cirurgia já na sexta-feira, logo que a gravidade de seu caso ficou comprovada, mas divisões internas no chavismo - às vésperas das eleições estaduais do domingo - e a disputa pelos papéis de mais destaque no Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) fizeram com que o líder retornasse na madrugada de sábado a Caracas para aparar as arestas políticas.

A escolha de Nicolás Maduro por Chávez como seu sucessor - inicialmente desenhada no mês passado, quando o chanceler foi nomeado vice-presidente - acirrou a disputa pelo poder no campo chavista. Além de Maduro, o ex-vice-presidente e candidato ao governo de Miranda, Elías Jaua, e o presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, esperavam ser indicados como herdeiro político do líder bolivariano. Por fora, corria também o ex-ministro da Defesa e candidato ao governo do Estado de Nova Esparta, general Carlos Mata Figueroa.

Fontes consultadas pelo Estado em Caracas afirmam que a indicação de Cabello ou Mata Figueroa teria repercussões, positivas e negativas, entre os quartéis do país. Cabello, que acompanhou Chávez na fracassada tentativa de golpe de 1992 e chegou a ocupar, por 24 horas, a presidência da república após o contragolpe de 2002, é visto com desconfiança pelos militares. Muitos o acusam pela intriga que causou a prisão de Raúl Isaías Baduel - ex-comandante-geral do Exército e ex-ministro da Defesa.

Baduel não se subordinou aos líderes do movimento golpista de 2002 e foi o responsável militar pelo retorno de Chávez ao Palácio de Miraflores. Quando seu prestígio crescia entre as bases chavistas, foi acusado de desvio de fundos e sentenciado a 8 anos de prisão.

Já Mata Figueroa é tido como o responsável pela incorporação de oficiais de inteligência cubanos no Exército, algo que alguns militares de patente média ainda não digeriram bem. Jaua, originário do movimento estudantil, por seu lado, não era visto como um líder suficientemente forte para manter o chavismo no poder mesmo sem Chávez.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.