Intervenção na Líbia domina início de cúpula africana

O presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang, inaugurou na quinta-feira a cúpula da União Africana com um alerta contra as intervenções estrangeiras no continente, dizendo que as iniciativas para defender os direitos humanos só têm agravado os problemas.

DAVID LEWIS, REUTERS

30 de junho de 2011 | 17h12

Em discurso na sessão de abertura do evento, o atual presidente da União Africana disse que a entidade sofre com a falta de verbas, e precisa encontrar meios de se financiar para evitar que estrangeiros intervenham e ganhem influência. "Quem paga dá as ordens", afirmou.

Aparentemente, a crítica de Obiang à intervenção externa foi uma alusão à atual campanha de bombardeios da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) contra o governo da Líbia, uma crise que deve dominar os dois dias da cúpula.

Analistas dizem que Obiang, amplamente criticado pela situação dos direitos humanos na Guiné Equatorial, estaria ávido por usar o petróleo do seu país para dar mais financiamento à UA, suprindo a verba que costumava vir da Líbia.

Mas pelo menos uma intervenção de fora da África foi bem acolhida no primeiro dia do evento. Como convidado de honra da UA e representante oficial do Brasil, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o continente continuará sendo uma prioridade no governo de Dilma Rousseff.

"A mentalidade é a mesma", disse Lula, que em dois mandatos promoveu um grande salto nas relações diplomáticas e comerciais do Brasil com a África, que alcançaram 20,5 bilhões de dólares no ano passado.

Lula continua sendo uma figura influente na formulação das políticas brasileiras para a África. "Vou continuar batendo na porta de vocês", afirmou o ex-presidente.

CRISE LÍBIA

O presidente da Comissão da União Africana, Jean Ping, disse que a crise líbia irá claramente dominar a cúpula de Malabo, e que a posição da UA continua sendo a de que cabe aos líbios encontrar uma solução para os seus problemas, sem que isso passe pela divisão do país.

A UA, que reúne 53 países, se queixa de que seus esforços para mediar um acordo entre os rebeldes e o regime de Muammar Gaddafi foram postos para escanteio por causa da ação militar da Otan.

Ping disse que os governantes do continente precisam encontrar uma voz única para continuarem sendo relevantes.

No seu discurso, Obiang disse que "agentes extra-africanos" estão se aproveitando da falta de unidade africana para intervir no continente e defender os interesses de outros países e indivíduos.

"Como resultado dessas políticas impostas, as intervenções pelos direitos humanos estão hoje em dia causando um enorme flagelo para a humanidade em várias partes do mundo", afirmou.

O presidente de 68 anos qualificou de "mentiras" as críticas estrangeiras ao seu país, que costuma ser citado negativamente por ter elevados índices de pobreza, apesar da renda per capita relativamente alta.

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