Intervenção na Líbia pode ocorrer no sábado, diz diplomata francês na ONU

Há chances de que operações ocorram 'nas horas seguintes à cúpula de Paris'

Reuters

18 de março de 2011 | 21h44

NOVA YORK - O embaixador da França na Organização das Nações Unidas (ONU), Gerard Araud, disse nesta sexta-feira, 18, que pode haver uma intervenção militar na Líbia já no sábado, momentos depois de uma cúpula que discutirá o cessar-fogo decretado pelo governo do ditador líbio, Muamar Kadafi.

 

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"Amanhã (sábado) teremos a cúpula de Paris com os principais participantes das operações e dos esforços diplomáticos. Acho que será um bom momento para manda um último sinal", disse Araud a um programa da rede de notícias BBC.

 

 

"Os EUA, a França e o Reino Unido já enviaram um ultimato sobre o cessar-fogo e estabelecemos as condições. Acho que depois do encontro, nas horas seguintes, acho que poderemos lançar a intervenção militar", completou o diplomata. A França lidera a reação internacional à onda de violência que tomou conta da Líbia devido aos confrontos entre as tropas de Kadafi e os rebeldes que querem derrubá-lo.

 

 

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, e o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, discutirão a situação no país africano com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, e com a Liga Árabe. Representantes da União Africana também estarão no encontro.

 

Araud disse que é importante o envolvimento de países árabes por que há "preocupações sobre a imagem da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no mundo árabe". "Não é uma operação do Ocidente, é a comunidade internacional interferindo a pedido da Liga Árabe", disse o diplomata.

 

O Conselho de Segurança da ONU aprovou na quinta uma resolução que prevê a instalação de uma zona de exclusão aérea (no-fly zone, em inglês) sobre a Líbia e "o uso de todos os meios necessários para proteger os civis líbios", mas não autoriza o envio de tropas para o país africano. Posteriormente, o governo líbio anunciou um cessar-fogo, mas segundo líderes ocidentais, as medidas apresentadas por Trípoli não são suficientes para evitar uma incursão.

 

O presidente dos EUA, Barack Obama, fez um ultimato a Kadafi nesta sexta e estabeleceu condições para que o ditador líbio cumpra. São elas, além do cessar-fogo completo e imediato, o fim de todos os ataques contra os opositores, a retidada das tropas de Benghazi, Misrata, Ajdabiya, Az-Zawyia e o restabelecimento do fornecimento de gás, e petróleo em todas as áreas do país. Segudo Obama, "esses termos não são negociáveis".

 

A rebelião na Líbia começou a pouco mais de um mês. Os rebeldes lutam para derrubar Kadafi, que está no poder há 41 anos, e acusam o ditador de massacrá-los com bombardeios. O número de mortes por conta da violência é desconhecido, mas mais de 300 mil pessoas já deixaram o país desde o início da guerra civil.

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