AFP PHOTO / PIERRE-PHILIPPE MARCOU
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Intervir na autonomia catalã é a única resposta possível, diz premiê espanhol

Em resposta a deputado independentista catalão, Mariano Rajoy afirma que decisão de acionar o artigo 155 da Carta espanhola foi tomada 'ante o desprezo a nossas leis, a nossa Constituição e ao Estatuto da Catalunha'

O Estado de S.Paulo

25 Outubro 2017 | 09h46
Atualizado 25 Outubro 2017 | 10h46

MADRI - O primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, afirmou nesta quarta-feira, 25, que a "única resposta possível" que lhe deixou o presidente catalão, Carles Puigdemont, perante seu desafio separatista, é exercer temporariamente as competências regionais da Catalunha, tal como determina a Constituição.

O riso como antídoto contra a crise na Catalunha

Rajoy defendeu a aplicação dessas medidas na sessão de controle ao Executivo no Congresso, em resposta ao porta-voz do partido Esquerda Republicana da Catalunha (independentistas), Joan Tardá, que criticou o governo pela "repressão", antes de recorrer ao diálogo.

De acordo com o chefe de Governo, a resposta é a maneira de "restaurar a legalidade" e de "enfrentar as consequências econômicas que suas decisões estão provocando", em referência às empresas que retiraram da Catalunha as suas sedes sociais no último mês - quase 1.400 de acordo com os dados mais recentes.

O governo espanhol propôs no último dia 21 o afastamento do presidente Puigdemont, e todo seu governo, a limitação das funções do parlamento regional da Catalunha, a convocação de eleições para restaurar a ordem constitucional nessa região autônoma e a tomada de controle da polícia catalã - os Mossos d'Esquadra - e dos meios de comunicação públicos, medidas que devem ser validadas na sexta-feira pelo Senado, onde o Partido Popular, de Rajoy, tem maioria.

Rajoy lamentou a falta de diálogo de Puigdemont e se referiu à possibilidade de que o presidente do governo catalão compareça ao Senado antes que essas medidas sejam votadas. "Vamos ver se agora tem a boa vontade de comparecer ao Senado para apresentar suas propostas perante o conjunto dos cidadãos", declarou.

O chefe do Executivo espanhol reforçou que seu objetivo é restaurar a legalidade, apostar na convivência e solucionar as consequências econômicas do processo independentista.

A 48 horas de que o Senado aprove definitivamente as medidas planejadas pelo governo espanhol, Puigdemont contrapesa a resposta a Madri, cujas opções incluem declarar de maneira unilateral a independência ou convocar eleições autonômicas.

Perante esta última opção, distintas vozes entre os políticos espanhóis analisam se a convocação dessas eleições seria uma razão suficiente para suspender as medidas do governo.

União Europeia

Uma Catalunha independente seria expulsa da União Europeia e da zona do euro, o que prejudicaria diretamente a economia da região do nordeste espanhol, afirmou o ministro de Economia da Espanha, Luis de Guindos, nesta quarta.

“Ela sairia de todos os tratados, 70% de seu produto interno bruto estaria sujeito a tarifas e fronteiras físicas. Ela sairia da zona do euro e os bancos não teriam cobertura do BCE... ela teria que criar sua própria moeda, que seria muito desvalorizada”, disse o ministro ao Parlamento espanhol.

Tamanha desvalorização levaria a uma queda estimada de 25 a 30% no crescimento econômico regional, a uma inflação elevada e ao dobro das taxas de desemprego, acrescentou. / EFE , AFP e REUTERS

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