Intervir na Síria agora

Barack Obama formulou uma abordagem coerente do uso do poder americano. A "doutrina Obama" envolve entrar numa zona de conflito e sair rapidamente, sem guerras terrestres ou ocupações prolongadas. Mas a inércia traz riscos. Apresentamos cinco razões para depôr Bashar Assad o quanto antes.

MICHAEL DORAN , MAX BOOT , THE NEW YORK TIMES, O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2012 | 03h08

1.Uma intervenção americana diminuiria a influência do Irã no mundo árabe. O Irã tem despejado ajuda na Síria e sabe que, se Assad cair, ele perderá sua base mais importante na região e uma linha de suprimento aos militantes pró-iranianos do Hezbollah no Líbano.

2.Uma política americana mais firme poderia impedir a propagação do conflito. A guerra civil da Síria já exacerbou disputas sectárias no Iraque e no Líbano e o governo turco acusou Assad de apoiar militantes curdos para inflamar as tensões entre os curdos e a Turquia.

3.Ao treinar e equipar parceiros confiáveis dentro da oposição interna da Síria, os Estados Unidos poderiam criar um baluarte contra grupos extremistas como a Al-Qaeda, que estão buscando refúgio em rincões desgovernados da Síria.

4.Uma liderança americana sobre a Síria melhoraria as relações com aliados-chave como Catar e Turquia. O premiê Recep Tayyip Erdogan, da Turquia, e seu colega do Catar criticaram os Estados Unidos por oferecerem apenas um apoio não letal à rebelião. Ambos defendem o estabelecimento de uma zona de exclusão aérea e de "zonas seguras" para civis em território sírio.

5. A ação americana daria fim ao terrível desastre na Síria e interromperia o êxodo de refugiados que cria um ônus para Estados vizinhos. Obama prometeu, no início do ano, fortalecer a capacidade do governo de "prever, impedir e responder a genocídios e atrocidades em massa". Agora, tem uma oportunidade de fazê-lo e, ao colocar aliados na chefia, poderia agir sem deslizar pela ladeira escorregadia de uma guerra terrestre.

Os amigos mais próximos na região - Jordânia, Catar, Arábia Saudita, Turquia e Israel - gostariam de ver Assad fora o quanto antes. Também se poderia contar com ajuda de Grã-Bretanha e França como na Líbia. Mas nenhum deles se mexerá se os EUA não o fizerem. / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK. EXTRAÍDO DE ARTIGO DO 'NEW YORK TIMES'

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