Intimidações a políticos crescem com chegada de Obama ao poder

Senadores e deputados dos EUA não têm mesma proteção do presidente, que recebe 30 ameaças por dia em média

Gustavo Chacra CORRESPONDENTE/NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

10 de janeiro de 2011 | 00h00

NOVA YORK

Desde que o presidente Barack Obama assumiu o poder, o risco de atentados cresceu, segundo especialistas. O próprio líder americano sofre 30 ameaças de morte todos os dias, de acordo com Ronald Kessler, autor do livro In the President"s Secret Service (No Serviço Secreto do Presidente, em tradução livre), que analisa a segurança dos chefes da Casa Branca por meio de entrevistas com mais de cem agentes responsáveis pela proteção de Obama e de seus antecessores. O número é quatro vezes superior ao de George W. Bush.

Congressistas não recebem segurança especial como presidentes, vices e secretários de governo, a não ser quando ocupam cargos de liderança no Congresso. Em eventos distantes de Washington, eles correm maior risco de ser atacados como a deputada Gabrielle Giffords, vítima de atentado no Arizona.

A polícia do Congresso dos EUA alertou aos membros da Câmara e do Senado a tomarem as "precauções necessárias" diante do risco contra a segurança deles depois do ataque no Arizona.

O cenário atual lembra o dos anos 1960, quando o presidente John Kennedy, seu irmão Robert Kennedy e o ativista pelos direitos civis Martin Luther King foram assassinados. Em 1995, um terrorista anti-governo explodiu uma bomba em Oklahoma.

O novo presidente da Câmara dos Deputados, John Boehner, do Partido Republicano, advertiu ontem sobre os riscos que eles e outras autoridades de Washington correm em eventos como o de Giffords em Tucson. "O ataque nos relembra que o serviço público sempre vem com um risco", disse. Jim Kolbe, que era deputado do mesmo distrito que Giffords no Arizona até 2006, disse que reforçou a sua segurança nos últimos meses do mandato. O diretor do FBI, Robert Mueller, afirmou que "linguagem de ódio e com incitamento" apresentam um desafio para as autoridades de segurança especialmente em casos "como o de lobo solitários" em ataques como o de Tucson.

Giffords, conhecida por ter perfil moderado e pragmático, foi duramente atacada pelos republicanos e pelo movimento conservador Tea Party nas últimas eleições. O lema de seu opositor, o ex-marine republicano Jesse Kelly, era: "Ajude a tirar Gabrielle Giffords de seu gabinete. Dispare um (fuzil) M16 carregado com Jesse Kelly." Defensora do direito ao porte de armas, ela protestou contra os termos usados pelo adversário.

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