Intoxicação mata pelo menos 13 detentos na Venezuela

Tragédia ocorreu durante greve de fome e protesto na Penitenciária de Uribana contra destratos e violações aos direitos humanos

O Estado de S. Paulo

27 de novembro de 2014 | 10h09

CARACAS - Pelo menos 13 detentos morreram e outros 145 recebiam atendimento após uma intoxicação com medicamentos em uma penitenciária de Uribana, no Estado de Lara, durante um protesto, anunciou o governo venezuelano. Fontes policiais e ativistas dos direitos humanos consultados pela agência France Presse, no entanto, anunciaram um balanço de até 21 detentos mortos.

"Informamos sobre a lamentável morte de 13 internos", afirma um comunicado do ministério de Serviços Penitenciários, que atribuiu a tragédia à "ingestão descontrolada de fármacos como antibióticos, antiepilépticos, anti-hipertensivos e álcool puro". A justiça venezuelana designou uma equipe de promotores e analistas para investigar as mortes.

A tragédia ocorreu durante uma greve de fome e um protesto dos detentos do Centro de Reclusão David Viloria (conhecido como penitenciária de Uribana) contra o que consideram tratamento desumano e violações aos direitos humanos por parte das autoridades penitenciárias.

Segundo o comunicado oficial, "um grupo de internos se declarou em greve de fome na segunda-feira para exigir a destituição de um funcionário ministerial que acreditavam ter sido nomeado diretor do centro".

"Às 8H30 (11H00 de Brasília) se tornaram violentos e começaram a quebrar as paredes e as portas das áreas de reclusão. O apoio da Guarda Nacional foi solicitado de maneira imediata", completa o ministério.

Segundo o governo, os detentos atacaram o posto de saúde e entraram de maneira violenta na enfermaria, assaltaram a farmácia e ingeriram os medicamentos.

A ONG Observatório Venezuelano de Prisões (OVP) anunciou um balanço de 17 detentos mortos em hospitais de Lara e outros quatro em Maracay, no Estado de Aragua, que haviam sido transferidos do presídio David Viloria.

"Há 15 mortos no Hospital Central de Barquisimeto e outros dois no hospital do Seguro Social. Em outro grupo de detentos, transferido para (o presídio) Tocorón, há 16 intoxicados no Hospital Central de Maracay, incluindo 4 que morreram e 12 que se encontram mal", disse à AFP Humberto Prado, diretor da OVP.

Prado advertiu que se desconhece a situação de vários presos transferidos do David Viloria para penitenciárias dos estados de Portuguesa e Guárico, no sudoeste do país.

O boletim mais recente da ONG destaca a crise carcerária no país, um dos mais violentos do mundo, onde no primeiro semestre de 2014 morreram 150 detentos em vários atos de violência.

De acordo com a OVP, as penitenciárias da Venezuela são afetadas pela superlotação e pelas condições insalubres e de desnutrição dos presos.

Desde 2011, o governo do então presidente Hugo Chávez implementou um plano para melhorar as condições de vida nas prisões, obter o desarmamento dos detentos e agilizar os processos judiciais, políticas que o sucessor, Nicolás Maduro, tenta dar prosseguimento. Mas as prisões venezuelanas permanecem como locais de muita violência.

Na madrugada de quarta-feira, 41 detentos, condenados por crimes como homicídio e sequestro, fugiram de uma prisão provisória na região de Caracas. / AFP

 

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