Inundação abre flanco para Taleban no Paquistão

Acadêmicos temem que milícia radical se aproveite do caos no país para derrubar frágil governo paquistanês

, O Estado de S.Paulo

19 de agosto de 2010 | 00h00

WASHINGTON

Especialistas e autoridades americanas estão preocupados com a possibilidade de o Taleban e a Al-Qaeda se aproveitarem do caos causado pelas enchentes no Paquistão e conquistarem espaço nas regiões atingidas pela tragédia, que já afetou cerca de 20 milhões de paquistaneses, dos quais pelo menos 7 milhões precisam de ajuda urgente.

Wendy Chamberlin, presidente do Middle East Institute e ex-embaixadora dos EUA no Paquistão, disse ontem que a Casa Branca deve se preparar para o mais sombrio dos cenários: a possibilidade de o Taleban derrubar o governo enfraquecido de Islamabad.

"O pior dos pesadelos seria um golpe da Al-Qaeda e do Taleban no Paquistão", disse Wendy à rede de TV CBS. Ela lembrou ainda que o governo paquistanês já era fraco e impopular antes das enchentes. "Um governo extremista em Islamabad seria um desastre e teria acesso às armas nucleares do país."

Diplomatas americanos também confirmaram que estão preocupados com as consequências das enchentes para a guerra no Afeganistão - muitos insurgentes usam esconderijos localizados nas regiões afetadas no Paquistão.

Os militares dos EUA, no entanto, ainda acham cedo para dizer exatamente o que muda no terreno de combate. No entanto, ontem surgiram as primeiras notícias de enfrentamentos entre extremistas e forças de segurança paquistanesas.

Sobrecarregados. Os insurgentes estariam se aproveitando do fato de a polícia e os militares estarem mobilizados em tarefas de resgate e envio de ajuda humanitária à população. Milhares de soldados e praticamente todos os helicópteros da Força Aérea do país estão envolvidos no socorro.

"Os militares paquistaneses, porém, já estão sobrecarregados", afirma Terry Glavin, professor da Universidade da Colúmbia Britânica. "É pouco provável que os soldados do Paquistão consigam manter as posições que conquistaram recentemente na fronteira afegã. Isso significa que a guerra deve se tornar ainda mais sangrenta."

O Taleban pediu ontem que os paquistaneses rejeitem toda a ajuda estrangeira, dizendo que ela ficará nas mãos da elite do país e não será repassada para a população. / AP E REUTERS

Arrecadação da ONU

A ONU disse ontem que garantiu a metade dos US$ 460 milhões para seu plano de assistência urgente. A organização recebeu US$ 208 milhões. Mais US$ 42,1 milhões foram prometidos.

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