Inundação do Elba bate recorde em Dresden

Ao atingir 9,4 metros, a enchente do Rio Elba bateu hoje o recorde dos últimos 150 anos, inundando várias cidades alemãs ao longo de seu curso para o norte e deixando um rastro de destruição. Dresden, a capital da Saxônia, é uma das cidades mais atingidas pelas águas. Não está claro ainda para os meteorologistas e técnicos em hidrografia quando a situação se reverterá, permitindo uma avaliação dos enormes estragos. Todo o centro barroco está praticamente submerso, incluindo o Palácio Zwinger, com sua famosa galeria de artes, e a célebre Theaterplatz, onde está a Opera Semper. Cerca de 30 mil moradores de Dresden e distritos vizinhos tiveram de abandonar suas casas. Foram instalados num acampamento improvisado, montado pelo Exército numa área elevada a 20 quilômetros de distância. "Esperamos que as águas agora baixem", desabafou um porta-voz do Ministério do Meio Ambiente da Saxônia. Outras cidades do leste alemão sofrem o mesmo problema, atingidas pelas águas do Elba que extravasaram do leito em conseqüência de dez dias de chuvas torrenciais. As previsões indicam mais chuvas para esta semana. A força da correnteza do Rio Mulde (afluente do Elba) e o grande volume de água acumulado romperam uma barragem perto da cidade de Bitterfeld, cerca de 30 quilômetros ao norte de Dresden, perto da fronteira com a República Checa. Ali existe um pólo de indústrias de produtos químicos, criado pelo antigo regime comunista da ex-Alemanha Oriental. Muitas ainda estão em atividade, agora ameaçadas pelas águas, o que poderia provocar uma catástrofe ecológica. Para evitar o pior, as autoridades federais decidiram remover os 16 mil habitantes da cidade para local seguro. As enchentes já mataram pelo menos 100 pessoas na Alemanha, Rússia, Áustria, República Checa, Romênia e até na Turquia. Em Muehlberg, 50 quilômetros ao norte de Dresden, os prejuízos são incalculáveis. Toda a cidade foi atingida. Seus 53 mil habitantes receberam ordens expressas para abandonar a região. Cem se recusaram, criando um problema para as autoridades locais que reforçaram o policiamento para evitar eventuais saques. No porto de Hamburgo, onde o Elba deságua no Mar do Norte, o quadro também é preocupante. O Ministério do Interior alemão confirmou que foram afetados 4,2 milhões de alemães - dos quais 100 mil estão temporariamente desalojados e pelo menos 30 mil tiveram suas casas destruídas. Ao contrário, os flagelados checos começaram a retornar a suas casas. Em Praga, a histórica capital do país, as águas do Danúbio estão retornando lentamente ao leito do rio depois de atingir um pico de quase 10 metros. Os prejuízos em todo o país são elevados. Os Estados Unidos e a União Européia prometeram ajuda. A situação era igualmente aflitiva em cidades banhadas pelo Danúbio como Bratislava, na Eslováquia, e Viena, na Áustria. Budapeste foi posta hoje em estado de alerta. A capital húngara pode ser a próxima vítima da cheia. O chanceler alemão, Gerhard Schroeder, reúne-se amanhã em Berlim com seus colegas checo e austríaco para uma avaliação do quadro.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.