EFE/Mariano Raso/TELAM
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Inundação na grande Buenos Aires preocupa kirchnerismo

Cidades peronistas que rodeiam a capital são as mais atingidas por chuva; prefeito diz a moradores que não divulguem fotos

RODRIGO CAVALHEIRO - CORRESPONDENTE/BUENOS AIRES, O Estado de S. Paulo

08 de agosto de 2015 | 17h37

Inundações decorrentes da chuva que cai desde quarta-feira na Província de Buenos Aires, onde estão 37% dos eleitores do país, causaram a transferência de centros eleitorais, pedidos de cancelamento da votação por políticos que temem sair prejudicados e até o apelo desesperado de um prefeito para que os moradores parem de subir na internet fotos de alagamento. A Argentina terá votação para as primárias neste domingo. 

A sequência de temporais, prevista para durar até segunda-feira de manhã, atingiu principalmente a área dominada por prefeitos peronistas que apoiam o candidato kirchnerista Daniel Scioli, governador da província. Este anel metropolitano com construções e sistemas de escoamento precários é cortado por rios que estão 4 metros acima no nível normal. 

Nessa subdivisão da província, um semicírculo que envolve a capital Buenos Aires e abriga 25% dos votos do país, há 1,6 mil desabrigados. A votação em 100 escolas de nove municípios foi mudada de lugar.

O senador Mario Ischii, candidato a prefeito de José C. Paz, a segunda cidade mais pobre da região, com 200 mil habitantes, pediu o cancelamento da votação. Ischii, que governou o lugar nos anos 90 e se denomina “o mais kirchnerista dos prefeitos”, disse que "ruas bloqueadas, milhares de desabrigados, um menino afogado e prognóstico de mais tormentas com granizo impedem a realização de uma primária normal”. Trechos de estradas desapareceram ou se romperam.

Na capital, que tem 8% dos eleitores do país – 80% dos quais votaram contra o kirchnerismo na eleição municipal de julho – o impacto é menor. 

A preocupação se estendeu à campanha de Scioli, que governa a província há oito anos. Um outdoor submerso com a inscrição “Limpeza do Rio Luján. Buenos Aires ativa como nunca” tornou-se alvo de piada nas redes sociais. Moradores passaram a colocar no Twitter fotos e relatos com a hashtag #bajoelagua. 

O movimento irritou o governante de San Antonio de Areco, Francisco “Paco” Durañoña, para quem as imagens de estradas cobertas por rios no município a 120 quilômetros de Buenos Aires não são boas para o turismo. “Não devemos sair enlouquecidos para que a imagem de nosso celular seja vista em algum canal nacional, porque depois terminamos pagando as consequências”, afirmou o kirchnerista, segundo o jornal Perfil.

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