Inundações continuam a desalojar paquistaneses

Centenas de milhares de paquistaneses deixaram áreas inundadas hoje depois que as águas do rio Indo subiram, mas muitos se recusaram a deixar a região e outros se abrigaram num antigo cemitério de santos muçulmanos.

AE-AP, Agência Estado

27 de agosto de 2010 | 13h34

A nova enchente acontece depois de o Taleban ter emitido uma ameaça velada contra trabalhadores humanitários estrangeiros que auxiliam no socorro às vítimas, fato que pode complicar o envio de assistência. Mais de 8 milhões de pessoas precisam de ajuda emergencial em todo o país.

Cerca de 175 mil pessoas tiveram suas casas invadidas pelas águas durante a noite na cidade de Thatta, no sul do país, depois que um dique que protege a cidade foi rompido, disse o funcionário do governo Manzoor Sheikh. Autoridades tentam reparar o dique, que fica a cerca de 125 quilômetros a sudeste da cidade de Karachi.

O dique de Soorjani, na mesma região, também sofreu danos, informou Gulab Shah, que colabora com o socorro às vítimas. "Está além do nosso controle", disse. "Milhares de pessoas estão reunidas com seus animais de criação e seus pertences". "Suas vidas estão em perigo, elas não querem partir".

Bloqueio

Manifestantes bloquearam uma estrada nas proximidades da localidade com pneus incendiados. Eles disseram que atenderam às ordens de evacuação, mas que agora não têm comida, água ou abrigo. O porta-voz da Organização das Nações Unidas (ONU), Maurizio Giuliano, disse que cerca de 1 milhão de pessoas deixaram suas casas nos distritos de Thatta e Qambar-Shadadkot desde quarta-feira.

Ontem, o Taleban paquistanês ameaçou realizar ataques contra trabalhadores humanitários estrangeiros. O grupo militante tem um histórico de ataques contra grupos humanitários, dentre eles agências da ONU.

O porta-voz do Taleban, Azam Tariq, disse que os Estados Unidos e outros países não estão realmente concentrados em fornecer ajuda às vítimas das enchentes, mas têm outros motivos que ele não especificou.

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