Inundações forçam retirada de milhares de pessoas de Dresden

As piores inundações dos últimos 100 anosna Europa forçaram hoje a retirada de milhares de moradoresdas áreas ribeirinhas da histórica Dresden (nordeste alemão) ecausaram o rompimento de um dique no Estado da Saxonia-Anhalt, o centro da indústria química da antiga Alemanha Oriental,forçando a retirada de todos os 16 mil habitantes de Bitterfeld.Havia ali 350 fábricas de produtos químicos que acabaram sendodesativadas com a reunificação da Alemanha em 1990. Mas muitasinstalações permaneceram e as autoridades temem que sejaminundadas, o que poderia contaminar lavouras e mananciais deágua potável. Essa região fica próxima da fronteira com a República Checa,onde também há um parque de indústrias químicas. Pelo menos umadelas foi atingida pela enchente, provocando a liberação de gás cloro, tóxico na atmostera. Segundo as autoridades alemãs, o dique de Bitterfeld nãosuportou a pressão das águas do Rio Mulde que saltaram do leitoapós dez dias de chuvas torrenciais que deixaram pelo menos 100mortos e algumas centenas de milhares de desabrigados no centrodo continente. Ao contrário de outros países do centro da Europa onde asinundações diminuem (caso da Áustria e República Checa), naAlemanha a situação continua crítica. Na região de Dresden, onível das águas do Rio Elba continua crescendo a uma velocidadede 20 centímetros por hora, ameaçando inundar todo o centrohistórico da cidade. Muitas das antigas pontes da cidade estãointransitáveis. O andar térreo do famoso Palácio Zwinger, ondefunciona um das mais importantes galerias de arte da Europa, foicoberto pela água. Preciosas pinturas, incluindo Rembrandts,foram removidas e levadas a andares superiores. Equipes desocorro trabalham dia e noite na construção de muros de proteçãodo centro histórico com sacos de areia e bombeando água docasario inundado. Milhares de moradores da região estão sendoremovidos de suas casas ameaçadas. Pelo menos nove pessoas morreram nessa região alemã. Eleva-sea 4,3 milhões o total de pessoas afetadas. Grande parte delastiveram de deixar suas casas. O governo alemão comprometeu-se aajudar financeiramente as que não têm seguro. O chancelerGerhard Schroeder determinou a liberação de uma verba inicial decerca de US$ 400 milhões para socorro imediato às vítimas do queas autoridades européias definem como a "pior catástrofeclimática de que se tem notícia nos últimos 500 anos". Na vizinha República Checa, as autoridades esperam as águas doVltava retornarem definitivamente ao leito para fazer umaavaliação dos prejuízos em Praga - uma das cidades européiasmais castigadas. Mas o centro histórico, formado por um dos maiscompletos conjuntos arquitetênicos medievais da Europa, pareceter sido salvo das águas. Dezenas de milhares de moradores das áreas ribeirinhasaguardam autorização para retornar a suas casas. Mas a região,ainda parcialmente submersa, continua sem energia elétrica e semágua potável. Pelo menos 200 mil pessoas em todo o país ficaramdesabrigadas. Lavouras foram destruídas e o turismo, uma dasprincipais fontes de arrecadação do país nesta época do ano,registra queda de mais de 80%. Isso levou o presidente VaclavHavel a pedir ajuda externa. A situação comoveu o ator escocêsSean Connery que lançou campanha em favor dos flagelados checose pela restauração das áreas históricas danificadas de Praga. As águas do Rio Danúbio estão a 10 metros acima do leito - omaior nível em um século. Ele banha Bratislava, capital daEslováquia, e Viena, capital da Áustria. O estado de alertacontinua imperando em Bratislava, onde a situação é aindaconsiderada muito delicada. Em Viena, o perigo parece terpassado e os trabalhos de limpeza já começaram, com mobilizaçãogeral dos moradores para a tarefa.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.