Invalidada a condenação de homem enforcado há 53 anos

Um homem enforcado por assassinato há 53 anos era inocente e teve sua condenação revertida nesta terça-feira, por um Tribunal de Apelações da Grã-Bretanha. Os juízes determinaram que a condenação de George Kelly, executado em 28 de março de 1950, fosse invalidada porque evidências de que outro homem cometeu o crime não foram apresentadas no julgamento original.A evidência ficou guardada nos arquivos policiais até ser descoberta no início dos anos 90, possibilitando a reabertura do processo, apesar da execução do réu. Kelly, um operário de 27 anos, foi detido após o assassinato de Leonard Thomas, de 44 anos, gerente do cinema Cameo, durante um assalto em Liverpool, em março de 1949.Kelly foi julgado pelo assassinato de Thomas e condenado à morte por enforcamento em fevereiro de 1950. Ele foi executado na prisão um mês depois. A família de Kelly sempre defendeu sua inocência e o caso foi encampado pela Comissão de Revisão de Processos Criminais, um órgão independente que analisa possíveis erros da Justiça britânica.Um segundo homem, Charles Connolly, que jurou inocência no assassinato de Thomas, mas admitiu culpa no assalto, também teve sua condenação revertida hoje. Connolly passou dez anos na cadeia. Ele morreu em 1997 e ainda jurava inocência.O advogado Orlando Pownall disse à Corte de Apelações que Robert Graham declarou à polícia de Liverpool, em setembro de 1949, que um homem chamado Donald Johnson admitira o assassinato de Thomas. A declaração não foi apresentada no julgamento de Kelly e só veio a ser descoberta em 1991, quando uma pessoa interessada no caso teve acesso aos arquivos policiais.Os dois últimos enforcamentos na Grã-Bretanha ocorreram em 1964. O Parlamento aprovou, em 1965, uma moratória à pena de morte, que foi definitivamente abolida em 1969. Teoricamente, o crime de traição permaneceu como passível de pena de morte até 1998, quando o artigo foi removido.

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