Invasão de embaixada mostra divisões internas

Análise: Parisa Hafezi / Reuters

O Estado de S.Paulo

02 de dezembro de 2011 | 03h02

A invasão da Embaixada da Grã-Bretanha em Teerã mostrou que há uma divisão na elite iraniana, com conservadores linha dura conduzindo o Irã para um isolamento global enquanto tentam enfraquecer o presidente Mahmoud Ahmadinejad antes das eleições legislativas de 2012.

A Grã-Bretanha fechou sua missão diplomática depois que jovens iranianos invadiram sua embaixada. Em resposta, Londres expulsou todos os diplomatas do Irã do território britânico. A crise agravou-se depois que outros países, como França e Alemanha, também retiraram seus diplomatas do Irã.

Diplomatas e analistas iranianos acreditam que a invasão da embaixada foi orquestrada por conservadores leais ao líder supremo, aiatolá Ali Khamenei. O ataque foi liderado por integrantes da milícia radical basij e dois rivais de Ahmadinejad apoiaram a ação publicamente - contradizendo o pedido de desculpas feito pelo Ministério das Relações Exteriores iraniano.

O apoio público à milícia - feito pelo prefeito de Teerã, Mohamed Baqer Qalibaf, e pelo presidente do Parlamento, Ali Larijani - refletiu a lealdade dos políticos a Khamenei, que ainda não se pronunciou publicamente sobre o caso. "O ataque contra a embaixada mostra claramente as divisões políticas internas do Irã", afirmou um analista, que pediu anonimato. "A pressão estrangeira aprofundou essa divisão."

Ahmadinejad tem sofrido fortes críticas de clérigos conservadores por sua política econômica heterodoxa, vista como inflacionária e perdulária. O presidente também irritou essa elite com medidas para tomar dos religiosos o controle sobre assuntos de segurança e política externa.

"Agora, a linha dura tirou as luvas. O ataque à embaixada britânica foi um aviso a Ahmadinejad", disse o analista político Mohsen Sadeghi. Entre as consequências do episódio estaria o enfraquecimento dos partidários de Ahmadinejad nas eleições legislativas de 2012.

"Apesar da retórica antiocidental, Ahmadinejad está aberto a negociações. As eleições de 2009 tiraram dele a legitimidade interna. Negociando, ele busca legitimidade externa", acrescentou Sadeghi.

A elite da Guarda Revolucionária e a milícia basij se distanciaram de Ahmadinejad e continuam ferozmente leais a Khamenei. "A luta entre Ahmadinejad e Khamenei pode afetar os fundamentos da república e enfraquecer o presidente", disse Sadeghi.

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