Invasão de Watergate buscava fotos de suposta prostituta

O grupo que invadiu em 1972 o quartel-general do Partido Democrata, no Edifício Watergate, não buscava documentos políticos secretos, mas fotografias de uma suposta prostituta, revelou nesta terça-feira G. Gordon Liddy, que chefiava os invasores republicanos. O episódio desencadeou uma onda de escândalos que culminou com a renúncia do então presidente, o republicano Richard Nixon. Os invasores procuravam fotografias de uma mulher, Maureen, que se casaria depois com John Dean, então advogado da Casa Branca. "Dean suspeitava de que sua noiva teria integrado um grupo de mulheres ´usadas´ pela Comissão Executiva Nacional do Partido Democrata para entretenimento de políticos de Washington", disse Liddy, hoje com 70 anos, ao prestar declarações num processo por difamação. O processo foi aberto contra ele por Ida Wells, secretária de um dirigente democrata que ele vinculou num livro ao grupo de prostitutas. Foi a primeira declaração pública dele em 28 anos sobre o mais comentado "roubo" da história dos Estados Unidos. Segundo Liddy, Dean, o advogado de Nixon, lhe havia dito que a operação era necessária para garantir a vitória dos republicanos nas eleições de 1972. "Naquele momento, não entendi porque me encarregaram de executar aquele plano, que me pareceu sem sentido", contou Liddy, que atualmente comanda um programa de rádio de extrema direita. "Só muito mais tarde compreendi o verdadeiro motivo da operação encabeçada por John Dean."

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